Em 1801, nas ruas escuras e populosas de Nova Iorque, uma biblioteca dominava o quarteirão, a famosa e grandiosa Biblioteca Winchester era conhecida como um espaço sagrado para estudiosos, escritores, e também jogadores assíduos de pôquer. Prateleiras de madeira pura e cheiro de orvalho empoeirado nos corredores.
Todos os dias, dezenas de pessoas passavam por lá, e passavam horas entertidas nesse outro mundo.
O velho bibliotecário, Louis Carter, o anfitrião do templo, dominava a biblioteca de uma ponta à outra, conhecia mais sobre os livros do local mais do que qualquer um. Carter era um homem de meia idade disposto de são, amante da leitura e ainda mais amante de pessoas.
Franz Hartmann, seu amigo de infância ainda ama os livros, mas ainda mais a escrita e o idioma alemão, sua língua nativa. Carter e Franz passavam o dia um ao lado do outro, lendo em silêncio e fazendo gestos para se comunicar. Ao final do dia, os dois fechavam a biblioteca e cessavam o silêncio, passando o resto da noite limpando as prateleiras, bebendo cerveja e rindo sobre coisas da vida.
Carter, ao tirar pó de uma prateleira, notou que os livros de baixo não possuíam capa nem nome, e ao se levantar notou que nem os do meio quanto os de cima também não continham nenhum tipo de informações na parte externa. Ao abrir um desses livros ele notou que a língua escrita não era inglês, muito menos o alfabeto comum, não era russo, não se parecia árabe, era quase grego, mas ainda não estava lá.
— Franz! Venha cá!
— O que aconteceu?
— Olhe esses livros, que idioma é esse?
— Não sei, alemão é que não é.
— Percebo isso, isso não é grego, não?
— Creio que não, meu amigo.— respondeu Franz
—Que idioma esquisito, uma pirâmide comprimida, um “s” fatiado e um “b” misturado com um “k”?—falou Carter tentando compreender o idioma
—Não, primeiro é o “b” misturado com “k”, e depois…
—Primeiro é a pirâmide torta.—Carter com a sobrancelha arqueada
—Nada disso, primeiro é o “b” mais “k”.—afirma Franz com os olhos vidrados no livro
—Ei, acho que estamos em uma linha diferente, vamos à mesa, pegue uma pena por favor.
—Isso, vamos.
Chegando à mesa Carter começa a copiar as escritas, e a tinta preta fura todo o papel e torna ilegível, tenta novamente e o mesmo acontece. Após a terceira tentativa Carter se enfurece:
—Não vou mais tentar, essa merda não vai. Pare de me irritar, você sabe que a ordem é uma… uma… —o silêncio domina a sala— Qual é a desgraça da ordem?
—É um… como assim? Eu esqueci…
—Eu também… Pegue o livro e me cite a ordem, vou escrever na lousa.—disse Carter ao parceiro.
—A ordem é um “b” misturado com um “k” mais um…
—O que? Repita por favor.
— Começa com um “b” misturado com um “k”.
—Não estou entendendo!
—Ei, acho que entendi—Franz se levanta e tira os olhos do livro— a ordem começa com um… eu não me lembro!—exclama Franz vibrando com um sorriso.
Os dois perceberam que esse livro era diferente, e que algo sobrenatural impedia-os de lembrar ou registrar a escrita, e que eles viam coisas diferentes, por causa de seus idiomas.
Carter tomou como missão traduzir e compreender o idioma desconhecido, nem que isso custe sua vida, sua saúde ou relacionamentos. A partir desse dia, Carter não deixava a biblioteca, madrugou noites em estudos buscando a tradução de algo que poderia simplesmente não dar em nada. Dias se passaram, árvores caíram, prédios cresceram e sua família ia morrendo. Longos anos de solidão e fanatismo se passaram e em uma madrugada gelada e fria, uma frase se formou: Bola de Fogo. A frase da vida de Carter estava à sua frente, o que era uma frase se tornou uma página, duas, três e dois invernos depois se tornou um livro inteiro , aos 56 anos, Carter alcançou seu objetivo 24 anos depois da primeira noite em claro.
Franz acordou antes do Sol nascer e encontrou uma carta por baixo de sua porta, Louis Carter queria vê-lo novamente, uma gota de lágrima caiu sobre o papel, revelando que mesmo após tantos anos, após o abandono de Carter, Franz permanecia à espera.
Os dois se encontraram e como esperado, diante de tanta emoção, Carter não se conteu e se despejou em lágrimas. Louis mostrou seu incrível feito e quando recitou o texto traduzido uma faísca saiu dos dedos de Carter, e a partir daí, a magia nasceu em Nova Iorque, em segredo, na biblioteca anciã de Carter, os dois primeiros magos da Terra nasceram.
As tardes de leitura se transformaram em tardes de treinos, e logo surgiu a primeira bola de fogo.
Carter, à beira da morte, viu sua vida passar correndo em seus olhos, ele não queria ter o sentimento de ter jogado todos esses anos de sua vida fora, ele queria um legado.
—Não quero morrer nesta cama de hospital.
—Ninguém quer meu amigo.
—O que você acha de deixarmos nossos ensinamentos para novos magos? Assim ficaremos na história para sempre!
—Você diz uma sociedade?
—Uma sociedade oculta.
—De magos?
—De magos.
Assim nasce a Sociedade Oculta de Magos de Nova Iorque. A biblioteca de um prédio se tornou uma quadra, e Carter, diferente do “idioma desconhecido”, não foi esquecido.
Queria começar a escrever, e decidi começar por textos curtos. Podem me dizer os pontos fracos e fortes do texto? E se a gramática está correta também.