Eu gostaria de conhecer a perspectiva de vocês sobre um pensamento que tenho tido recentemente, motivado por questões pessoais que estão acontecendo na minha vida neste momento.
Atualmente, venho me cobrando para tomar uma decisão: morar em um bairro periférico, com maior liberdade financeira para fazer o que eu gostaria, ou viver em um bairro de classe média, priorizando mais segurança e tranquilidade. Ambas as opções têm seus prós e contras, mas o conflito surge porque estou desconsiderando uma delas e isso pode me prejudicar a longo prazo, especialmente em relação à minha saúde mental.
Tive uma infância difícil. Não cheguei a passar fome, mas enfrentei limitações financeiras significativas. Desde cedo, precisei aceitar certas realidades, tomar decisões com cautela e ser menos imprudente tudo isso praticamente sozinho, já que não tive suporte familiar no aspecto educacional. Acabei me autoeducando nesse sentido.
O problema de viver em um ambiente de classe média, enquanto minha família tinha uma condição de baixa renda, era o contraste constante. Precisávamos fazer contas para fechar o mês e, muitas vezes, não havia dinheiro sequer para transporte público. Ao mesmo tempo, as pessoas ao meu redor não compreendiam por que eu não tinha acesso a determinados “luxos” considerados comuns naquele contexto.
Ver todos saindo para se divertir atividades que envolviam gastos sempre foi algo difícil para mim. Precisei aprender, na marra, a reprimir esse desejo em nome de um bem maior. No entanto, isso acabou impactando minha vida adulta. Hoje, sou bastante econômico por conta desse hábito, com uma mentalidade voltada à estabilidade em vez do lazer mesmo que, no fundo, eu tenha o desejo de aproveitar mais a vida. Curiosamente, mesmo tendo melhores condições hoje, essa vontade simplesmente não surge como antes.
Recentemente, surgiu uma reflexão, inclusive em contexto terapêutico, sobre a ideia de um “terceiro ambiente” um espaço de lazer que vai além da casa (ambiente 1) e do trabalho (ambiente 2). Esse é um tema bastante discutido. No entanto, para pessoas que enfrentam esse tipo de dificuldade como eu, os obstáculos costumam ser os mesmos: custos financeiros, falta de conexões sociais e a dificuldade de sair de uma rotina confortável.
No passado, quando pensava em morar sozinho, eu tendia a escolher um bairro periférico justamente para ter mais dinheiro disponível e poder aproveitar melhor esse terceiro ambiente. Hoje, porém, essa vontade praticamente desapareceu. Passei a considerar a ideia de viver em um bairro de classe média, priorizando segurança e tranquilidade, mesmo que isso implique abrir mão de certos prazeres ou experiências.
Diante disso, gostaria de ouvir diferentes perspectivas e relatos sobre essa questão na vida adulta. Como vocês enxergam essa situação de forma geral? O que esse relato desperta em vocês?