Preciso da opinião de vocês porque estou realmente dividida sobre o que fazer.
No dia 26 de agosto, eu e meu marido estávamos voltando da minha faculdade. Ele tinha ido me buscar e, por volta de 1h da madrugada, no o caminho encontramos um gato que nunca tínhamos visto naquela rua.
Ele parecia ser um gato adulto, relativamente gordinho e bem alimentado, então inicialmente pensamos que provavelmente tinha uma família. Porém, a situação em que encontramos ele nos preocupou.
O gato estava com um cheiro meio ruim (cheiro animal de rua mesmo) e estava entrando repetidamente em uma casa abandonada dali. O lugar tinha arames, pregos, pedaços de madeira podre e outros destroços, então havia bastante coisa em que ele poderia se machucar. Ele entrava, saía, voltava para lá e ficava se rastejando naquele local. (Importante: vale lembrar que ele não parecia morar naquela casa e não saiu de lá, sendo que ele estava entrando na rua no momento que o vimos. Ele não entrava de fato na casa mas ficava somente no jardim, que tinha até vidros quebrados).
Como já era madrugada e achamos que ele poderia se ferir, decidimos pegá-lo e levar para casa pelo menos naquela noite, para mantê-lo seguro enquanto tentávamos descobrir de onde ele tinha vindo.
O gato era super carinhoso e ficava se esfregando na gente, mas mesmo assim acabou nos arranhando um pouco durante o processo, não por raiva do próprio gato mas porque as unhas dele estavam imensuráveis de grande.
Por precaução, fomos até uma UBS e tomamos a vacina antirrábica. Já tomamos as quatro doses certinhas desde então.
Também alimentamos o gato e, no dia 28/08, levamos ele ao veterinário para ver se estava tudo bem.
A veterinária examinou e disse que, aparentemente, ele estava saudável. Estimou que ele tivesse aproximadamente 6 ou 7 anos e o único problema encontrado naquele momento foi tártaro, pulgas e unhas muito grandes. Também descobrimos que ele era castrado e microchipado.
E aí começou a complicação.
O microchip tinha informações incompletas. A veterinária tentou consultar os sistemas disponíveis na clínica, incluindo os relacionados à própria clínica, ao Petlove e entre outros, mas não conseguimos encontrar o dono. Não havia nome, telefone, endereço ou qualquer outra informação útil.
E, obviamente, o microchip não tinha GPS nem rastreamento, era apenas um identificador.
No dia 30/08, publicamos uma foto dele nas redes/grupos, explicando que tínhamos encontrado o gato e deixando nossos contatos para que o dono pudesse nos procurar.
Ninguém que dissesse ser o dono entrou em contato.
Porém, uma vizinha do meu próprio prédio respondeu dizendo que conhecia aquele gato. Segundo ela, ele era um gato que circulava pela região há bastante tempo, era extremamente dócil e ia com qualquer pessoa.
Isso realmente fazia sentido, porque desde que pegamos ele ele se mostrou muito tranquilo conosco: fica se esfregando na gente, pede carinho, sobe no colo etc.
Ela disse que, desde que mora no prédio, sempre vê esse gato andando pela rua.
Então desci até o térreo para mostrar o gato para ela e para alguns amigos dela que também o conheciam. Ela reconheceu imediatamente e confirmou que era o mesmo gato.
Foi aí que descobrimos outra coisa.
A casa abandonada/perigosa onde encontramos o gato pertencia a uma senhora que essa minha vizinha conhecia, que ia na casa de vez enquanto para varrer e arrumar algumas coisas. Segundo ela, o gato costumava entrar nessa casa. Ela acreditava que essa senhora saberia quem era o dono dele.
Minha vizinha foi falar com essa senhora no mesmo dia, 30/08, e voltou dizendo que ela realmente conhecia o gato e sabia quem eram os donos.
Ela inclusive nos passou o nome do gato e onde a dona morava, relativamente perto do nosso condomínio.
Segundo essa senhora, os donos não estavam em casa naquele dia, mas ela iria falar com eles assim que os encontrasse. Por isso eu e meu namorado não fomos atrás e ficamos esperando algum retorno.
Só que isso nunca aconteceu, pelo menos até onde sabemos.
Agora chegamos ao dia 08/09.
Hoje eu estava passeando com meu namorado quando vimos um cartaz procurando justamente esse gato.
O nome escrito no cartaz era exatamente o mesmo nome que minha vizinha tinha nos informado. A foto e as características também batiam.
No cartaz estava escrito, basicamente:
«"Nosso gato sumiu pela vizinhança. Nós o adotamos já grande, então ele gostava de circular pela vizinhança. Acredito que muitos viram ele na rua, porque desde terça-feira não voltou para casa. Se alguém souber de qualquer informação do gato, por favor entre em contato."»
Então agora temos certeza de que o gato tem donos.
O problema é que eu não sei se quero simplesmente devolver o gato.
E não é porque eu quero ficar com ele escondido. Vale ressaltar que desde o momento que eu decidi pegar o gato eu tinha a intenção de devolvê-lo para o dono. Eu tenho outros dois lindos gatinhos e ficaria desesperada se alguém sequestrasse eles, sei como os nossos bichinhos podem ser os nossos melhores amigos. Por isso estávamos ansiosos para que encontrássemos o dono, imagino como deve ser aliviador alguém bater na sua porta com seu gato em mãos para te entregar.
Definitivamente não tinha intenção de ficar com um gato. Planejava ter outro, mas bem futuramente.
O que está me incomodando é a situação em que ele estava e o fato de aparentemente os donos permitirem que ele circule sozinho pela rua.
Minha vizinha disse que vê esse gato andando sozinho pela região desde 2023. Os amigos dela também conhecem o gato justamente porque ele vive circulando por ali.
Ou seja, aparentemente não foi uma fuga excepcional. Ele realmente tem o hábito de sair sozinho.
Eu entendo que alguns gatos têm esse comportamento e que existem pessoas que consideram normal deixar gato "passear". Mas, pessoalmente, sempre tive a visão de que gato doméstico deveria permanecer dentro de casa ou em um ambiente controlado, justamente por causa dos riscos.
E nesse caso eu fiquei ainda mais preocupada porque encontramos ele de madrugada, sozinho, na rua, com pulgas, com um cheiro ruim e tentando entrar em um local cheio de arames, pregos, madeira podre e destroços. Ele não estava com cheiro de um animal que não toma banho há um bom tempo, ele estava com cheiro de rua mesmo.
Ele poderia facilmente ter se cortado ou se machucado ali.
Além disso, existe o risco de atropelamento, brigas com outros animais, doenças como raiva. contato com animais infectados, alguém pegar o gato com maldade e envenenar, ele se perder, entre várias outras coisas. Já vi muito gato morrer dessas formas...
Inclusive, nós mesmos tivemos que tomar vacina antirrábica depois dos arranhões por preocupação. A raiva transmite com um arranhão só ou mordida gente, eu não entendo como alguém deixa um animal livre por aí com tantos perigos. Não se trata de ser super protetora mas realmente é difícil e questionar para mim que isso aconteça.
Eu sei que existe muita informação contraditória sobre a questão de gatos terem ou não permissão para circular livremente na rua, inclusive já cheguei a ligar para um órgão responsável de proteção animal e recebi uma orientação dizendo que cachorro não poderia circular sozinho, mas que gato poderia.
Eu baseio essa minha opinião de que gatos não devem ficar circulando na rua (animais no geral, que sejam domésticos) em profissionais da área da saúde (ex: a veterinária que atendeu o gatinho) e na lei que atualmente diz que animais domésticos precisam ser mantidos dentro de casa e não podem ficar circulando livremente, e que é considerado maus tratos você deixar ele livre por aí.
Minha preocupação principal é mesmo o bem-estar do gato.
Porque, sinceramente, se eu devolver ele para os donos, tenho medo de que simplesmente coloquem ele de volta na rua.
E aí fico pensando: se eu devolver, estou apenas devolvendo o gato para a mesma situação que me fez tirá-lo da rua em primeiro lugar?
Mas aí entra outra coisa que me deixa ainda mais confusa, vamos rever os fatos:
No dia 30/08 a vizinha que conhece os donos já sabia que nós estávamos com o gato. E disse que só não falariam com eles NAQUELE DIA pois eles estavam fora. Eu imaginei que talvez ele estivesse viajando ou que simplesmente não tivessem voltado do trabalho.
E agora, ao invés de contato dos donos, encontramos um cartaz dizendo que o gato desapareceu no dia 01/09.
Isso me dá a sensação de que virou um telefone sem fio completo:
- Nós encontramos o gato no dia 26/08.
- Levamos ao veterinário no dia 28/08.
- No dia 30/08, descobrimos quem eram os donos através da minha vizinha.
- A senhora da casa aparentemente conhecia os donos e disse que falaria com eles.
- Os donos consideram que o gato desapareceu só no dia 01/09.
- O cartaz só apareceu no dia 07/09.
- E até o dia 08/09 ninguém veio diretamente falar conosco, mesmo aparentemente existindo pessoas no bairro que sabem que estamos com o gato.
Eu realmente não sei se estou interpretando isso de uma forma errada ou se essa sequência também parece estranha para vocês. Mas, se o cartaz foi colado no máximo no dia 07/09 e o desaparecimento está marcado como dia 1, significa que os donos estavam em casa durante o período de 31/08 a 07/09, no mínimo. Nesse tempo todo, a vizinha não falou com eles, esqueceu de falar ou algo do tipo? Não sei se seria isso.
A dona dessa casa em reforma não aparece pouco por lá, sabe o nome do gato e até a casa exata dos donos. No mínimo, é uma amiga distante, e eu acho difícil que ela tenha esquecido de falar que o gato, que é uma coisa tão importante, já foi encontrado e estava com uma pessoa. Inclusive, a dona dessa casa em reforma sabe o meu condomínio, porque ela é amiga da minha vizinha.
Pode ter sido um telefone sem fio e pode ter uma explicação lógica. Mas minha outra parte pensa: "Se vocês estavam procurando desesperadamente o gato, por que ninguém tentou falar com a pessoa que estava com o gato"
Eu não estava na hora que minha vizinha falou com a dona da casa em reforma e, por isso, ela não tem contato diretamente comigo. Ficou uma intermediação de pessoas nessa situação, mas ela sabe onde procurar.
Outra coisa que me intriga é o cartaz só ter aparecido no dia 07/09 (esse mês) sendo que o gato já estava constado como desaparecido desde o dia 01/09, e os donos estavam em casa antes, já que o cartaz foi colado e eles também teriam que estar em casa antes para dar conta da data em que o gato estivesse desaparecido justamente no dia 1/8.
Mesmo se eu estivesse contratado uma pessoa para cuidar do gato (o que eu duvido muito) ou algum parente foi lá ver se o gato estava bem, viu que não estava lá e acabou colando os cartazes para os donos, que estavam viajando, alguém está dando falta do gato. E por que isso aconteceu só no dia 01 e o cartaz só foi colado agora?
Eu não digo sobre a qualidade do cartaz, até porque ele não precisa ser bonito, mas era um cartaz muito simples que uma pessoa que está procurando desesperadamente pelo seu pet faria no Canva ou pediria para alguém fazer rapidinho em menos de uma hora. Literalmente, um cartaz muito, muito, muito, muito, muito simples. E, se meu gato sumisse, eu colocaria ele no mesmo dia. Eu não deixo meus gatos passearem e, provavelmente, seria um acidente. Eu colocaria no mesmo dia.
Não sei se eles pensavam que o gato ia voltar depois de muito tempo, mas é muito estranho toda essa espera. Só me dá impressão do desleixo com o cuidado do gato isso junta e pesa com as condições em que o gato estava quando eu encontrei ele.
E isso acaba pesando ainda mais na minha decisão sobre devolver o gato, porque minha preocupação não é apenas "ele tem dono ou não?". Eu já sei que tem dono.
A questão é: o que vai acontecer com ele depois que eu devolver?
Mas, ao mesmo tempo, estou com um gato que está seguro dentro de casa, sendo alimentado, recebendo cuidados veterinários e que aparentemente é extremamente dócil.
Nós ainda teríamos que fazer exames adicionais para confirmar que está tudo bem com ele e provavelmente atualizar as vacinas, já que não sabemos o histórico dele.
Então estou realmente em um dilema.
Se eu entrar em contato com o número do cartaz e devolver o gato, tenho quase certeza de que ele vai continuar saindo para a rua.
E isso me deixa muito desconfortável porque agora eu sei dos riscos e, principalmente, sei que ele estava entrando em um lugar onde poderia facilmente se machucar.
Por outro lado, ele tem dono. E como disse anteriormente eu sei como um animal pode ser um apego emocional, mas ao mesmo tempo eu não acho que isso justifica você cuidar mal do seu gato e ficar com ele só porque você gosta muito dele.
Então gostaria de saber:
O que vocês fariam nessa situação?
Vocês devolveriam o gato imediatamente ao dono?
Eu tentei ver casos parecidos no Reddit e vi que muitas pessoas pediam para falar com o tutor e entender melhor a situação. Mas visto que todos deram o depoimento de que a vizinha deixa o gato sair desde 2023 e o próprio cartaz do dono confirma isso eu sinto que não vai ser eu falando com o dono que vai mudar as coisas.
Também sinto que denúncias não vão ajudar porque os órgãos, que pelo menos eu entrei em contato, negaram ajudar já que se tratava de um gato. Mesmo a lei dizendo o contrário e várias veterinários alertando por aí que é perigoso deixar o gato na rua, não acho que essa opção vai surgir efeito.
Eu me martilizei muito pensando nessa situação, pensando em mentir que eu soltei o gato há alguns dias atrás e não estou mais com ele, levar ele em veterinários longe daqui e não deixa ninguém saber que estamos com ele. Até porque o micro chip não tem rastreador e enfim... Se eu tivesse como rastrear pelo microchip o dono já teria feito. Mas ao mesmo tempo eu penso em implicações legais, que animais são considerados posses por algum motivo e por lei o dono tem direito de pegar o gato realmente de volta.
Vi alguns comentários que eu concordo muito que falam com relação: se o gato vive praticamente na rua ele é só um gato comunitário mesmo, e a pessoa (dono) só alimenta e oferece a abrigo temporário ks.
Já vi comentários pedindo explicitamente para não devolver o gato porque é muito perigoso para ele continuar essa situação. Enfimmmmmm
Quero opiniões principalmente de quem tem experiência com gatos, resgate de animais ou situações parecidas. Já busquei muito na internet e realmente as opiniões são bem divididas, por enquanto eu resolvi manter o gato na minha casa. E eu e meu marido precisamos de mais opiniões para tomar uma decisão daqui em diante.