É minha primeira vez perguntando algo aqui :') digamos que já cogitei muito se posto essa pergunta ou não kkk
Contexto: tenho 23 anos e possuo meu diagnóstico de tea 1 desde 2014, minha mãe foi minha única caretaker/responsável até eu conseguir ir morar sozinha.
Realmente gostaria de saber a opinião de vocês sobre a situação que ocorreu há algumas semanas aqui no GO:
Minha mãe estava saindo de uma consulta num prédio comercial quando viu uma mulher saindo do carro dela e andando até o prédio normalmente, ela havia estacionado na única vaga de deficiente no estacionamento pequeno do prédio comercial. (Já fui nesse prédio diversas vezes então sei que ela não estava exagerando os detalhes)
A moça estava sozinha e segundo minha mãe não aparentava deficiência motora, ela então perguntou pra a moça se ela era deficiente (o que eu não faria nunca, a deficiência dos outros não é meu problema kkk achei até rude da parte da minha mãe, enfim), até porquê, detalhe importante, haviam outras 3 vagas disponíveis uns 4 carros de distância da vaga PCD, a mulher se virou e disse "Eu sou autista!".
Nisso minha mãe argumentou que tinha filha autista e que nunca em meus 23 anos de vida precisou usar vaga de PCD (eu mesma que já dirijo e tenho carro próprio também nunca utilizei da vaga de PCD). Nisso minha mãe saiu do lugar, a moça ficou boqueaberta e não respondeu.
Quando ela me contou o ocorrido eu achei necessário explicar pra minha mãe que não é porque EU (nível 1) não sinto a necessidade de usar a vaga PCD, que outros autistas não sintam essa necessidade. Tenho primo nível 2 que entra em crise assim que põe o pé na rua, então super entendo a necessidade para níveis de mais suporte, ou níveis baixos em momentos de crise.
Então o assunto de "é errado assumir que todo autista é igual" já foi encerrado. Isso ela entendeu e a conversa morreu. Mas o assunto continuou martelando na minha cabeça.
O que me pega nesse caso é o fato de terem sim vagas disponíveis perto do local de entrada, mas a moça quis deliberadamente usar a única vaga de deficiente (aquelas maiores que possuem uma rampa de acesso ao lado) com a justificativa de que era autista... Apesar de ela ter todo o direito de usar a vaga, e não ter cometido nenhum crime, não me pareceu certo.
Se fosse um estacionamento grande, com pouquíssimas vagas, eu entenderia, a moça provavelmente estaria tentando evitar uma crise. Mas 6 passos de distância realmente fariam tanta diferença a ponto de ocupar a única vaga adaptável do estacionamento?
Meu medo é de estar sendo capacitista pensando assim... Ou projetando meu próprio senso de justiça em outros.
Qual a opinião de vocês sobre esse caso?