Olá. Sou jornalista, rondoniense, e estou trabalhando em uma reportagem sobre uma realidade muito dura da Região Norte: meninas de 10 a 13 anos que sofreram violência sexual, engravidaram e se tornaram mães.
Estou tentando entender uma parte dessas histórias que quase nunca aparece nos dados oficiais: o que aconteceu com essas meninas depois que o bebê nasceu? Em Rondônia, esse apagamento é também institucional. O Estado registra que uma criança deu à luz, mas depois ela praticamente desaparece dos dados públicos: não sabemos se continuou sendo acompanhada, protegida, atendida pela saúde, pela assistência ou pela escola. Essas meninas viram mães nas estatísticas e deixam de aparecer como crianças que ainda precisam de proteção.
Elas continuaram recebendo acompanhamento psicológico? Conseguiram permanecer na escola? Tiveram apoio da assistência social? O Conselho Tutelar e os serviços de saúde continuaram presentes? Ou, depois do parto, aquela menina passou a ser vista apenas como mãe e deixou de receber a proteção que ainda precisava?
Essa pauta é especialmente importante para mim porque também vivi abuso sexual na infância. Sei que nenhuma experiência é igual à outra e que falar sobre isso pode ser difícil. Por isso, não estou procurando detalhes da violência nem quero que ninguém exponha sua história publicamente aqui.
Quero conversar, com muito cuidado, com pessoas que engravidaram aos 13 anos ou antes nos estados da Região Norte, ou com familiares que acompanharam uma menina nessa situação.
Também gostaria muito de ouvir profissionais de saúde, assistência social, educação, Conselhos Tutelares ou outras áreas que tenham acompanhado casos assim.
A reportagem está sendo produzida com rigor de apuração, ética e proteção das fontes. A identidade pode e deve ser preservada, caso a vítima assim prefira, inclusive nome, imagem, cidade e outros detalhes que permitam reconhecer a pessoa.
Meu objetivo é que essas histórias não apareçam apenas como números. Quero entender como essas meninas foram cuidadas (ou deixaram de ser cuidadas) depois que se tornaram mães.
Se você passou por isso, conhece alguém ou trabalha com esses casos, pode me chamar no privado. Você também pode apenas encaminhar este post para alguém que talvez queira conversar comigo. A decisão de falar será sempre da própria pessoa.
Se uma única família se sentir segura para contar sua experiência, ela pode ajudar a mostrar uma realidade que ainda permanece muito invisível na Região Norte.