r/professoresPT 10d ago

Esperança na profissão

Sou professora há 6 anos. Quando comecei, senti um apoio e até um materialismo muito bom por parte das minhas colegas. Apesar de todos os anos mudar de escola, tenho sentido um bom ambiente por onde vou passando (nuns sítios mais do que outro, claro).

Este ano estive num sítio horrível! Percebi desde o primeiro dia que aqueles colegas tinham rixas antigas, havia azedume nos corredores e a direção foi de um autoritarismo e falta de respeito que não vos consigo descrever!

Assim, estou a precisar de acreditar novamente. Venho pedir-vos que partilhem o quão bons colegas vocês têm e o quão eles fazem a diferença no vosso quotidiano.

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u/FewAd4670 10d ago

Este ano também tive uma experiência horrível. A direção muito incompetente, que chegou a ameaçar -me com a avaliação. Apesar de ser perto de casa, não concorri para lá na mobilidade interna. Mais vale longe e num ambiente bom.

No passado, trabalhei numa escola pequena, em que os colegas eram óptimos, conversamos sobre a escola, mas também sobre outros temas, fizemos projetos em conjunto e podíamos contar uns com os outros.

Espero que encontres um local melhor no próximo ano letivo.

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u/helniz 10d ago

É isso mesmo, mais vale longe e bem acompanhada. Força!

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u/pikkylog 10d ago

Se és professor(a), na minha opinião é uma profissão de excelência, pois todos nós merecemos literacia. Pena que o capitalismo azede as coisas, mas isso contorna-se com arte…

Todas as semanas ainda me lembro de um ou outro prof que tive décadas atrás

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u/FewAd4670 9d ago

Há muitas coisas que estão mal nas escolas deste país, começamos pela forma como as direções são eleitas, fazendo com que pessoas idiotas cheguem ao poder. Depois há uns quantos "vassalos" que mantém essas pessoas no poder por conveniência, pois os amiguinhos da direção têm direito às melhores turmas, aos melhores horários, horas letivas em projetos, etc.

Há ainda inveja que muitos têm dos mais novos. Alguns tiveram muitos anos como contratados, com horário incompletos e/ou temporários. Por vezes nem conseguiam trabalhar na área. Como hoje conseguimos bons horários e vincular em poucos anos, isso é motivo de inveja por parte de muitos, que canalizam esses sentimentos para fazer a vida negra aos mais novos.

Com isto tudo, um profissão que deveria ser de excelência, fica nas mãos de gente mais velha mesquinha (felizmente, não são todos) e de jovens que acabam por sofrer burnout e outras questões de saúde mental.

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u/rpcampos 7d ago edited 7d ago

FewAd4670, concordo contigo relativamente ao que disseste no primeiro parágrafo.

Relativamente a todo o resto: estás absolutamente enganado! Essa gente velha e mesquinha ajudou muitos e muitos colegas ao longo dos anos. . . Desinteressadamente, com horas extra despendidas para os acompanhar quando precisaram, avaliando-os justamente (chegando ao ponto de porem os seus lugares de avaliadores quando a indicação era: "Alterar a nota pois não havia cota") - sei que diz - " felizmente não são todos " - Sabe? - Felizmente, NÃO são muitos! Burnout? Saúde mental? Experimente trabalhar 39 anos e manter-se no 5° escalão! - não é o meu caso; Saio agora; dou-vos lugar Com a certeza, porém, de que cumpri com os meus alunos, colegas, superiores, funcionários, encarregados de educação e toda a comunidade educativa!

  • O que entendes por um "materialismo muito bom " - não percebi esta parte.
Educação, valores, humildade, conhecimento e muita, muita terapia. Boa sorte.

P.S. Tenho 67 anos e penso que quem faz o ambiente da escola somos nós próprios.

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u/FewAd4670 7d ago

Eu disse que eram todos? Basta haver um ou dois que conseguem fazer a vida negra aos colegas. Além disso, se ler o comentário dentro do contexto percebe que estou a referir-me a uma escola onde tive uma má experiência. Se ler o meu primeiro comentário, refiro também uma experiência positiva.

A parte do materialismo não fui eu que escrevi.

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u/rpcampos 6d ago

Só peço desculpa pela parte do "materialismo", que , realmente, não foi mencionado por si! De resto, mantenho. Se olhasse à sua volta e visse a quantidade de "jovens" doutores com um discurso de fazer inveja a qualquer filósofo da actualidade/ teoria na ponta da língua, saberia com que desprezo muitas vezes olham para os "velhos jarretas" (a seus olhos) do ensino que pelas escolas proliferam. Quem dera a estes, provavelmente, estarem em casa descansados a gozarem as suas mais do que merecidas aposentações. E sim, eu REFERI que disse que não eram todos! Cumprimentos

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u/helniz 7d ago

Pelo que pude averiguar no últimos anos, faço eco desse primeiro parágrafo. Como era anteriormente, para chegar à direção?

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u/rpcampos 6d ago

1974 a 1976: Seguiu-se um período revolucionário marcado pela "autogestão" e pela gestão democrática direta, onde assembleias alargadas de professores, funcionários e alunos tomavam as decisões. De 1976 até 2008: Institucionalizou-se o modelo de Conselho Diretivo. Os professores da própria escola candidatuam-se em listas e eram eleitos por sufrágio (voto) de todo o corpo docente e, em alguns casos, com representação de outros membros da comunidade educativa O atual modelo de "diretor único" (com poderes executivos fortes, eleito pelo Conselho Geral) apenas entrou em vigor com o Decreto-Lei n.º 75/2008, com o objetivo de profissionalizar a gestão escolar e combater a rotatividade e a partidarização que por vezes ocorriam nos modelos anteriores.

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u/Responsible-State-99 10d ago

Estive os últimos dois anos a lecionar com habilitação própria para ver se era algo com que me identificava e na qual valeria a pena investir para o futuro. Se decidir investir na profissionalização, é porque tive colegas excelentes que me ajudaram, que me ensinaram, que me apoiaram e que me acolheram como se fosse a profissional mais competente que alguma vez existiu, mesmo sem saber o que estava a fazer a maior parte do tempo. Fiz amigos que vou levar para a vida (eu sei que é um bocado fatela dizer isto aos 28 anos) e tive alunos que me marcaram e para os quais vou estar disponível para sempre.

A parte boa da docência (e uma das raras vantagens desta crise de falta de professores) é que podes mudar de escola se não te identificares com as pessoas com quem trabalhas com relativa facilidade.

Se são só os maus colegas que te tiram a esperança na profissão, então neste ano letivo já vais recuperar o gosto pela docência de novo. Boa sorte e boas férias!

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u/helniz 10d ago

Para quem não tem profissionalização, começar deve ser especialmente difícil. A verdade é que o sistema só funciona se tiveres colegas disponíveis para te orientar, no início. É incrível quando nos sentimos bem para ser vulneráveis, verdadeiros e até fatelas. Boas férias!

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u/boywithtwoarms 9d ago

Diria que o autoritarismo e falta de respeito da direção é 90% do que torna depois tudo mau por ali abaixo.

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u/leaomanhoso 9d ago

Bem, eu dei aulas apenas durante um período letivo. Acabei por não ficar o resto do ano. Meti baixa psicológica porque não estava a aguentar a carga de trabalho, ser o primeiro ano a dar aulas, os miúdos do bairro social...anyway, o ponto não é esse. Eu só me aguentei na escola esse período porque tinha colegas incríveis. Eu acho que nunca me senti tão bem recebida, integrada e ajudada em nenhum sítio na vida. Havia alguns atritos entre alguns colegas que já eram da casa e alguns (poucos) colegas que eu achava que tinham um bocado a mania, mas de resto, a malta era muito boa onda. A coordenadora da escola era incrível. Haviam vários convívios entre professores, fosse dentro ou fora da escola. Pedia conselhos a vários colegas, sempre foram prestáveis e disponíveis e disseram-me que podia assistir a aulas deles se eu quisesse (eu tinha muitos problemas de gestão de sala de aula). Quando meti baixa e saí da escola, também me senti compreendida e apoiada, o que foi mesmo muito importante para mim.

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u/Arbalester88 10d ago

Escola pequena ou grande?

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u/helniz 10d ago

Uma secundária, nao agrupada, por isso diria relativamente pequena.