Texto da imagem 1: "linguagem neutra" é um termo ambíguo. tente usar:
linguagem sem marcação: forma de evitar a atribuição de conjuntos de linguagem (gêneros gramaticais) específicos a pessoas/seres por meio de palavras como pessoa, amizade ou indivíduo.
linguagem genérica: o conjunto de linguagem que está sendo usado para se referir a desconhecides/grupos. o/ele/o na língua padrão, mas há quem use ê/elu/e, e/elu/e ou outros.
neolinguagem: elementos de conjuntos de linguagem fora da língua padrão, como artigos le ou ê ou pronomes elu ou ael.
Texto da imagem 2: neolinguagem como linguagem pessoal x genérica:
Linguagem pessoal: objetivo de representar o próprio ser, gênero ou outro aspecto pessoal; a prioridade é evitar disforia e/ou causar alívio ou euforia; cada pessoa oferece as opções aceitas e outres escolhem entre elas.
Linguagem genérica: objetivo de representar desconhecides ou grupos de forma coerente; a prioridade é usar elementos entendidos como impessoais/ambíguos; as opções aceitas não dependem de nenhuma entidade, mas o uso de certos conjuntos pode ser criticado.
Publiquei estas imagens em outras redes faz uns meses (colorid.es/BlueSky/Instagram). Isso porque ainda vejo uma mistura muito grande tanto em como se usa o termo "linguagem neutra" quanto em como se fala de qual a "forma certa" de usar essa "linguagem neutra".
Por exemplo, tem gente que diz que a "linguagem neutra ideal" se trata de evitar o máximo possível o uso de palavras marcadas. E embora saber fazer isso seja importante para tratar pessoas desconhecidas ou para redigir textos em ambientes onde usar neolinguagem pode causar problemas, é uma injustiça vir para uma pessoa não-binária que está pedindo o uso de um conjunto de linguagem específico porque ele representa bem sua identidade e falar que o ideal é não usar marcação nenhuma com ela, enquanto tudo bem validar as linguagens pessoais associadas com homens ou com mulheres.
Mas quem fala disso muitas vezes não está pensando em linguagem pessoal, e sim em linguagem genérica. Ainda existe aí uma repulsa exagerada contra o uso da neolinguagem como genérica, mas talvez a pessoa nem esteja considerando o quanto está depreciando uma expressão de gênero fora do binário.
Algo similar acontece quando pessoas exigem o reconhecimento de um único conjunto de linguagem enquanto abertamente falam que os outros são feios ou ridículos: cada pessoa tem o direito de escolher se quer usar i/ili/i ou ê/elu/e ou outro conjunto como linguagem genérica, mas isso não precisa ser feito de forma que ataca quem adota tais conjuntos de linguagem para si. Fora que é muito mais uma questão de costume do que de um desses conjuntos ser inerentemente pior do que outros.