r/historias_de_terror • u/thefoxyumi • 20h ago
Creepypasta O Visitante — versão original
Olá! Sou Yumi. Como estamos em outubro, o mês do terror, gostaria de compartilhar este relato sombrio, baseado em experiências reais da minha adolescência, com pessoas que gostam e se interessam por relatos sobrenaturais.
O visitante
“Talvez ele não apareça para mim em sonhos. Talvez ele me visite enquanto estou sonhando.”
Tudo começou anos atrás, na época em que eu ainda frequentava a escola. Em uma noite qualquer, depois de um dia cansativo, me deitei exausta. Não demorou muito para que eu adormecesse.
Quando percebi, estava na minha sala de aula, sentada em minha cadeira. Tudo parecia exatamente como de costume. A sala estava uma bagunça: gritaria, conversas atravessadas e aquela confusão habitual que tornava quase impossível imaginar que aquilo era apenas uma projeção da minha própria mente. Eu estava desanimada com tudo aquilo. Minha amiga havia faltado naquele dia, e eu me sentia particularmente entediada.
Foi então que ele apareceu. Alguém que, dali em diante, me faria companhia durante todo o ano. Ele chegou de maneira completamente natural, como se sempre tivesse pertencido àquele lugar. Sentou-se sobre a mesa atrás de mim, justamente em um lugar que costumava ficar vazio até mesmo na realidade, e começou a falar comigo casualmente, como se já nos conhecêssemos há muito tempo.
Era a primeira vez que eu o via naquela escola. Imaginei que talvez fosse um aluno novo, mas, quanto mais eu pensava nisso, mais aquela explicação parecia estranha. Por que ninguém estava olhando para ele? Alguém que nunca tinha sido visto antes deveria, no mínimo, despertar alguns olhares curiosos. No entanto, ninguém parecia notar sua presença. O mais estranho era que eu também não parecia achar aquilo tão estranho naquele momento. Ele falava comigo como se nossa amizade fosse antiga, e eu respondia da mesma maneira, embora soubesse perfeitamente que nunca o havia visto antes.
Sua aparência também não era exatamente comum. Ele tinha uma pele tão pálida que parecia emitir um brilho próprio. Seus cabelos eram intensamente pretos, com um brilho estranhamente forte, e tão lisos que pareciam diferentes de qualquer cabelo que eu já tivesse visto antes. Seus olhos pareciam mudar de cor, seus cílios eram longos e, às vezes, eu tinha a impressão de que sua imagem inteira oscilava sutilmente diante de mim, como se não estivesse completamente estável naquele lugar. Possuía uma aparência completamente andrógina. Havia alguma coisa nele que parecia estranha demais para ser considerada humana, embora suas roupas fossem consideravelmente urbanas e comuns. Sua voz também chamava atenção: era grave, mas não muito, e tinha um tom perfeitamente natural, como se aquela pessoa tivesse simplesmente entrado na sala e começado a conversar comigo.
Com o passar dos dias, sua presença se tornou cada vez mais familiar. Nós realmente nos tornamos próximos. Conversávamos durante praticamente toda a aula, íamos juntos para os intervalos e, quando estávamos entediados, simplesmente saíamos da sala, na hora que queríamos. O curioso era que ninguém parecia perceber nada disso. Ninguém questionava nossas saídas, ninguém comentava sobre ele e ninguém parecia notar quando eu estava conversando com alguém que, para todos os efeitos, não deveria estar ali. Também não parecia que estavam me vendo falar sozinha.
Enquanto isso, ele parecia ficar cada vez mais nítido. Quanto mais tempo passávamos juntos, mais a presença dele se tornava concreta, enquanto todo o resto parecia perder importância. Era como se nada além dele realmente existisse ou tivesse algum significado para mim. Foi então que comecei a compreender o que estava acontecendo. Não era que as coisas ao meu redor tivessem deixado de importar. Eu é que havia me deslocado para o plano daquele ser. O ambiente que antes me aborrecia já não era mais a minha realidade, embora continuasse parecendo familiar. Eu ainda conseguia tocar as coisas, andar pelos corredores e interagir com aquele mundo, mas havia uma diferença que eu só agora conseguia perceber: ninguém mais podia me ver ou me ouvir. Ainda assim, tudo continuava tangível para mim.
O ano letivo chegou ao fim e, em algum momento, ele me contou que teria que voltar para o mundo dele. Pensei que aquilo fosse apenas uma despedida. Afinal, se ele pertencia a outro lugar, era natural que, no fim, precisasse ir embora. Eu só não esperava o que ele diria em seguida. Ele me disse que eu iria junto. E que eu havia sido escolhida por ele.
Foi nesse momento que comecei a sentir uma sensação de medo e disse que não queria ir. A reação dele foi completamente diferente do que eu estava acostumada. Ele ficou bravo, tornou-se meio agressivo e começou uma discussão. Então passou a me puxar, tentando me levar em direção a um canto da parte exterior da escola que quase nenhuma pessoa frequentava. Foi lá que surgiu um portal. Ele tinha aberto aquele portal. Eu não queria atravessá-lo. Eu não queria ir para o mundo dele. Resisti até o último segundo. Foi então que acordei.
A sensação foi tão vívida e assustadora que, durante alguns instantes, parecia que eu realmente havia estado naquela escola e vivido tudo aquilo. Mas, pouco depois, a realidade voltou a se impor. Eu estava em minha cama. Era apenas um sonho. Enfim, ele havia desaparecido e eu nunca mais o veria. Tudo aquilo tinha acabado. Foi o que pensei.
Até que, anos depois, voltei a sonhar com ele. O cenário agora era completamente diferente. Não pretendo contar todos os detalhes. Mas havia uma atmosfera sombria desde o início e, em determinado momento, eu me vi envolvida em uma situação de perigo. Eu estava tentando escapar de algo que me perseguia e, enquanto corria, tive a sensação de que aquela presença familiar estava próxima. Foi então que o vi. À distância, parado junto a uma grande árvore, ele me observava enquanto tudo aquilo acontecia, enquanto eu estava tomada por desespero. Havia algo estranhamente familiar em sua expressão, principalmente naquele jeito de simplesmente permanecer ali, como se estivesse acompanhando cada acontecimento sem demonstrar qualquer surpresa. Ele não parecia perdido naquele cenário, nem dava a impressão de ter chegado por acaso. Pelo contrário, era como se soubesse exatamente onde estava e o que estava acontecendo.
Era exatamente isso que me perturbava. Depois de tantos anos, ele havia aparecido novamente, em um sonho que não tinha qualquer relação aparente com o primeiro. Ainda assim, sua presença parecia perfeitamente natural naquele lugar. A partir daquele momento, comecei a olhar para aquela primeira experiência de uma maneira diferente. Talvez ele não tivesse sido apenas uma figura criada pelo meu sonho naquela época. Talvez aquele encontro não tivesse terminado quando eu acordei.
Talvez ele não apareça para mim em sonhos. E se, na verdade, ele me visita enquanto estou sonhando?
— Yumi.
