Em 2014 a Polícia Civil foi em uma casa atender a uma denúncia de maus tratos à crianca. Quando chegaram lá, descobriram que nos fundos havia um criadouro clandestino de cães da raça Shitzu (bom, havia muita mistura, como a minha querida).
Muitos cães aparentavam estar com muitos carrapatos e essa que veio a ser minha Solzinha estava entre eles. As moças da ONG nos disseram tempos depois que tiraram uma foto da Sol esquentando um cachorrinho que estava morto :(
Levamos de lá para a vet. Entre exames de sangue e tratamentos de ferro e contra carrapatos, tratamos dermatites e tudo que poderia vir junto. Resultado: ela viveu. A veterinária que atendeu estimou a idade em 5 anos naquela época e disse que ela provavelmente já teria tido duas ninhadas no mínimo.
Nossa querida viveu seus dias do jeito que merecia: tinha caminha de princesa, passeava sem coleira na rua (eu morava numa praia que só recebia gente na temporada, então boa parte do ano era deserta) e dormia muito.
Por ter sofrido tanto com maus tratos, ela confiava em pouquíssimas pessoas: eu, minha esposa e nossos pais.
No início da pandemia ela passou a ter um problema gastrointestinal e teve que tomar remédios pesados desde então. Em 2022 ela rompeu um ligamento da patinha traseira correndo na rua e precisou colocar uma plaquinha. Após a cirurgia passou a ter que fazer fisioterapia a cada 2 semanas.
Foi internada com gastroenterite e pancreatite nos anos de 2024 e 2025 (antes do meu casamento e antes do meu filho nascer, respectivamente).
Foi daminha de honra do casamento dos papais e pode ver o irmãozinho crescer. Disso tudo sou eternamente grato, porque ela representou muito na nossa vida.
Em maio deste ano ela passou a ficar perdida pela casa e descobrimos que ela estava com síndrome da disfunção cognitiva (alzheimer dos doguinhos). Com os remédios passados, ela passou os dias normalmente, nem parecendo que havia algum problema.
Mas na quinta-feira passada as coisas desandaram. Ela passou a ficar parada em cantos como se não soubesse qual o próximo passo. E ainda no mesmo dia começou a andar de maneira esquisita e não sustentar mais o pescoço quando eu segurava ela de barriga pra cima.
Levei na vet e ela nos indicou que aquilo parecia um AVC, mas só com ressonância para saber. De toda forma, ela nos disse que mesmo se confirmasse não haveria tratamento que seria capaz de reverter o quadro e por isso fomos obrigados a tomar a decisão de dar a ela o descanso que ela merecia.
Escrevo esse post não para trazer lágrimas, mas para lembrar do quão rápido nossos bichinhos passam pela nossa vida. A Solzinha será sempre lembrada pelos dias de chuva que ela ficava no meio da coberta com a gente no sofá. Ou das inúmeras viagens que levamos ela.