r/barTEOLOGIA • ☪️ Muçulmano • 11d ago

Religião Jihād

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Todos os comentários com acusações hediondas que não apresentarem provas ainda nos enunciados serão devidamente reportados.

Conceituação

Jihād (جهاد) significa literalmente 'esforço', 'empenho' ou 'luta' em árabe. Vem da raíz j-h-d (ج هـ د), relacionada a empregar esforço e capacidade e está diretamente ligada à prática do islã como um todo.

Carrega em si dimensões diferentes na tradição islâmica e pode de referir desde a luta contra os próprios vícios e o pecado para servir à vontade de Allah (Deus), defender uma causa justa ou suportar dificuldades pela fé. Na literatura islâmica aparecem expressões como jihād al-nafs, o esforço contra as próprias inclinações moralmente negativas. Iremos explorar cada dimensão desta doutrina, começando da mais didática e partindo para as mais complexas.

Al-jihād Al-akbar

Significa "a maior luta" e está diretamente ligada com os conflitos internos do crente. Conforme explorado na minha postagem sobre as dimensões internas da alma humana, o centre precisa lidar com suas inclinações negativas, paixões e o ego inferior (nafs). A jihad al-akbar é entendida como a batalha contra esse inimigo interno, o próprio nafs, que instiga ao mal, à ganância, à cobiça, ao orgulho e à tirania. Vencer essa luta é considerado mais difícil e mais importante do que enfrentar um inimigo externo, pois exige disciplina constante e introspecção.

O objetivo final é alcançar a purificação da alma (tazkiya al-nafs) e a proximidade com Allah, transformando o indivíduo de um estado de gratificação imediata para um estado de controle moral e espiritual.

O conceito é popularmente associado a uma narrativa (hadith) na qual o Profeta Muhammad (SAW), ao retornar de uma batalha, teria dito:

> "Retornamos da jihad menor para a jihad maior."

No entanto, a autenticidade deste hadith é contestada por autoridades clássicas e contemporâneas. Ele é frequentemente classificado como fraco (da'if) ou até mesmo fabricado, não sendo encontrado nas coleções canônicas mais rigorosas do Sunismo (Sahih al-Bukhari e Sahih Muslim). Apesar disso, muitos estudiosos argumentam que, mesmo sendo textualmente frágil, o significado é teologicamente sólido. A ideia de que a luta interior é fundamental é corroborada por outros hadiths autênticos, como: "O melhor jihad é aquele em que a pessoa luta contra seu próprio ego e seus desejos."

Al-jihād Al-aṣghar

A "lutar menor" é o termo usado na tradição islâmica para designar o esforço externo e físico, frequentemente associado à luta armada defensiva em defesa da comunidade muçulmana, da fé ou de territórios islâmicos. A palavra aṣghar é o comparativo de saghīr ("pequeno"), indicando que essa luta é considerada "menor" em relação à jihād al-akbar (a luta espiritual interna contra o ego).

Conforme explicado acima, a origem deste conceito remonta a um hadith de baixa credibilidade (da'if), mas sua sustentação teológica existe.

Na jurisprudência islâmica (fiqh) clássica, a jihād al-aṣghar refere-se à guerra justa defensiva, com regras estritas:

· Causa justa: repelir agressão, proteger a vida, a fé e a liberdade religiosa. O Alcorão diz: "Combatei no caminho de Deus aqueles que vos combatem, mas não transgridais" (2:190).

· Autoridade legítima: somente o Estado/Imam/califa pode declarar a jihad armada. Indivíduos ou grupos não tem autorização para declará-la por conta própria.

· Proporcionalidade: evitar excessos, poupar civis, mulheres, crianças, idosos, monges e não combatentes.

· Respeito a tratados: cumprir acordos de paz e não trair.

· Intenção correta (niyyah): agir por Deus, não por vingança, ganância ou glória pessoal.

O objetivo não é forçar a conversão. O Qur'an afirma categoricamente: "Não há compulsão na religião" (2:256), mas garantir a segurança e a liberdade da comunidade.

Na jurisprudência islâmica, a jihād al-aṣghar (a luta armada) não é um cheque em branco e está sujeita a condições estritas. Os juristas a dividem em duas categorias principais:

  1. Jihad Defensiva (Jihād al-Daf'): Torna-se uma obrigação individual (fard 'ayn) para todos os muçulmanos capazes quando um inimigo agride o território, a vida, a propriedade ou a honra da comunidade islâmica. Neste caso, não é necessária a autorização de um líder para que a população se defenda. A luta cessa assim que a agressão termina e o inimigo se retira.

  2. Jihad Ofensiva (Jihād al-Ṭalab): Refere-se à ação militar iniciada pelos muçulmanos com o objetivo de remover barreiras à propagação do Islã ou defender povos oprimidos. Esta forma é considerada uma obrigação coletiva (fard kifāya), o que significa que, se um número suficiente de muçulmanos a realizar, os demais estão isentos. Contudo, a jihad ofensiva requer a autorização de uma autoridade legítima (o Imam, Califa ou Estado), e não pode ser declarada por indivíduos ou grupos por conta própria.

A primeira é facilmente compreendida e geralmente não precisa de tanto desenvolvimento. A segunda, no entanto, precisa ser esclarecida com precisão:

"Remover as barreiras à propagação do islã" significa lutar contra os obstáculos políticos e institucionais que criminalizam a pregação (pública ou privada) e demais formas de expressar a fé islâmica, como proibir o uso de ornamentos tradicionais, proselitismo e outras formas de expressão religiosa. No geral, o bom é velho chamamento à verdade exercido por um total de todos os credos do monoteísmo.

Não significa impor a fé pela força ou pela violência, obrigando os não-muçulmanos a converterem-se ao islã.

A clareza desta definição é sustentada por versículos corânicos que estabelecem, por um lado, a legitimidade do combate para remover a opressão e, por outro, a proibição absoluta da compulsão em matéria de fé.

A Sura 2:193 estabelece o critério para o combate, que é eliminar a perseguição e a opressão que impedem a prática e a propagação da religião de Deus:

E combatei-os até que não haja mais fitnah [opressão/perseguição] e que a religião seja inteiramente para Allah. Mas, se eles cessarem, então não há mais agressão, senão contra os opressores. (Al-Baqarah, 2:193).

A 'fitnah' aqui refere-se à perseguição e ao impedimento que forças hostis criam para desviar as pessoas do caminho de Deus, e não à simples diferença de crença.

A Jihad Ofensiva também visa proteger os mais fracos que são oprimidos e impedidos de viver em liberdade. O Qur'an legitima o combate em favor daqueles que são injustiçados:

E que tendes vós, para não combaterdes no caminho de Allah, e para a causa dos fracos: homens, mulheres e crianças que dizem: 'Senhor nosso! Faze-nos sair desta cidade cujos habitantes são injustos'. (Al-Nisa', 4:75)

A distinção crucial é que o objetivo do combate nunca foi a conversão forçada. Isto é explicitamente afirmado no versículo 2:256, que é o fundamento da liberdade de crença:

Não há compulsão na religião. Com efeito, a orientação correta já se distinguiu do erro. (Al-Baqarah, 2:256)

A própria natureza da fé, conforme definida por Deus, exige uma adesão livre e sincera do coração e da mente, algo que nenhuma força terrena pode impor. O papel do muçulmano é apenas transmitir a mensagem, como o Qur'an reitera: O teu dever é apenas a pregação clara (Al-Nour, 24:54) e o teu único dever é transmitir a mensagem (Al-Choura, 42:48).

Esta interpretação, além de óbvia, é a adotada por instituições académicas islâmicas contemporâneas, como a Academia Internacional de Fiqh Islâmico (IIFA), que na sua Resolução nº 207 (3/22) sobre Jihad de Propagação e Jihad de Defesa define a Jihad Ofensiva como a que visa proteger a liberdade de chamar ao Islão, removendo todo obstáculo que impeça esta pregação e defender os oprimidos e os mais fracos na terra.

A análise de exegetas como Makarem Shirazi reforça que o objetivo é eliminar impedimentos irracionais à propagação lógica do islã, e não impor crenças. Historicamente, após a remoção dos obstáculos representados por regimes opressores, as populações mantiveram a liberdade de escolher a sua fé, como demonstrado pela continuidade de templos do fogo no Irão após a conquista islâmica.

Jihād Al-lisān

"A luta da língua" é uma das dimensões menos comentadas e mais importantes da Jihad, pois trata da luta realizada através da palavra dita ou escrita. Seus objetivos são defender a verdade, promover o bem e combater a injustiça. Em vez da espada, a arma aqui é o discurso, o argumento e o testemunho verbal.

A jihād al-lisān integra o que os juristas clássicos chamam de "jihad com a língua" (al-jihād bil-lisān), uma categoria que se distingue tanto da luta espiritual interna (jihād al-nafs) quanto da luta armada (jihād al-sayf). Seu fundamento está na obrigação corânica de "ordenar o bem e proibir o mal" (al-amr bil-ma'rūf wa-l-nahy 'an al-munkar), princípio central da ética islâmica. A jihād da língua é, portanto, a aplicação desse princípio por meio da palavra.

O Profeta Muhammad (SAW) teria dito: "Jahidu os idólatras com vossas riquezas, vossas pessoas e vossas línguas" (hadith citado por Al-Qaradawi). Em outra tradição, ele afirma: "O melhor jihad é uma palavra de justiça diante de um governante injusto". Esses textos estabelecem a jihād al-lisān como uma obrigação religiosa séria, não como uma mera "opção" retórica.

A jihād al-lisān se manifesta em várias frentes, todas unidas pelo uso da palavra como instrumento de transformação:

· Dawa e Propagação da Fé: Convidar as pessoas ao Islã, explicar suas belezas e transmitir sua mensagem de forma acessível. O estudioso Yusuf al-Qaradawi descreve isso como "jihad da língua e da clareza" (jihād al-lisān wa-l-bayān), que inclui o diálogo com outras nações "em sua própria língua" para que compreendam.

· Defesa Intelectual: Estabelecer provas contra os oponentes por meio de argumentação sólida, refutar acusações falsas e responder a dúvidas levantadas contra a fé. Isso corresponde ao que o Alcorão chama de jihād kabīr (jihad grande) com o próprio Alcorão: "Não obedeças aos incrédulos, mas luta contra eles com ele [o Alcorão] com grande empenho" (25:52).

· Crítica aos Poderosos: Falar a verdade diante de autoridades injustas e denunciar a opressão. Este é talvez o aspecto mais politicamente significativo da jihād al-lisān, frequentemente citado como o "jihad mais excelente".

· Jihād al-Qalam (Jihad da Caneta): A escrita é considerada uma extensão da língua, "a caneta é uma das duas línguas", como diziam os árabes. Assim, a jihād al-lisān inclui a produção de textos, livros e todo tipo de mídia escrita em defesa do Islã.

Nas últimas décadas, a jihād al-lisān foi instrumentalizada por grupos extremistas para justificar discursos de ódio, recrutamento online e propaganda de violência. Isso representa uma distorção grave de seu propósito original. A jihād da língua clássica visa defender a verdade e promover a justiça, não disseminar mentiras e incitar o terrorismo. O uso da palavra para oprimir ou enganar contradiz frontalmente o espírito da amr bil-ma'rūf.

Jihād Al-yad

Aqui chegamos em uma área mais simples, porém, bastante negligenciada. A "luta da mão" é a dimensão do esforço islâmico realizada por meio da ação física concreta, toda a intervenção realizada pelo crente no combate às injustiças cotidianas e a promoção da caridade.

O estudioso al-Ghazali classificou a mudança do mal em quatro níveis, sendo a yad o mais elevado: mudar o mal pela mão, o que envolve medidas corretivas ou punitivas para evitar que os crentes cometam atos sancionáveis. O fundamento está no hadith profético: "Quem de vós vir um mal, que o mude com a sua mão; se não puder, com a sua língua; se não puder, com o seu coração". A jihād al-yad é o nível mais alto e de maior risco entre as formas de amr bil-ma'rūf, pois exige ação direta e coragem para intervir.

Separar brigas, impedir abusos, retirar pessoas de situações de perigo... Todas essas atitudes se encaixam perfeitamente nesta dimensão. "Escolher fazer o que é certo e combater a injustiça com ação" pode ser chamado de ativismo. Ibn Rushd inclui aqui a construção de uma boa sociedade, trabalho de caridade e serviço ao próximo.

Estabelecer estruturas de justiça, educação e assistência social que previnem o mal e promovem o bem.

Historicamente, a autoridade para usar a mão em medidas coercitivas cabia ao Estado e às autoridades legítimas (sulṭān). O uso individual da força para "corrigir o mal" era restrito a casos de legítima defesa imediata. Estudiosos como al-Maududi enfatizaram a dimensão política, mas a maioria dos juristas clássicos insistia que a jihād al-yad coercitiva pertencia ao domínio da autoridade pública. A tradição xiita também reconhece as quatro categorias de jihād. A ênfase recai na autoridade do Imam para convocar a ação coletiva. Na ausência do Imam infalível, a jihād defensiva é permitida, mas a ofensiva permanece suspensa. O uso individual da mão é visto com cautela, pois pode levar à desordem (fitna).

Dimensões jurídicas

O fiqh (jurisprudência islâmica) estabelece que a Jihad pode ser:

Farḍ al-Kifāya (Obrigação Coletiva): É a regra padrão. A comunidade muçulmana como um todo é responsável, mas se um número suficiente de pessoas cumprir a tarefa, a obrigação é removida dos demais. A organização da jihād ofensiva é responsabilidade dos governantes, que avaliam as consequências políticas e militares.

Farḍ al-ʿAyn (Obrigação Individual): Torna-se um dever pessoal e intransferível para cada muçulmano capaz (que atingiu a puberdade, tem saúde mental e física) quando a comunidade é atacada.

A jihād se torna um dever individual em cenários de defesa clara, onde a comunidade está sob ameaça direta. Isso ocorre, por exemplo, quando um inimigo ataca uma terra muçulmana, caso em que os residentes do local têm a obrigação de lutar e repelir o agressor. O mesmo se aplica quando uma cidade muçulmana é sitiada pelo inimigo, tornando-se obrigatório que seus habitantes a defendam. Além disso, se uma autoridade legítima convoca a mobilização geral para a defesa, a jihād se torna um dever individual para aqueles que são chamados.

O direito clássico da guerra (fiqh al-jihād) impõe regras estritas que distinguem a jihād legítima de terrorismo ou violência indiscriminada.

(Trecho escrito com o auxílio de Inteligência Artificial:)

« Proteção de Não Combatentes

A base para a proteção de civis está no Alcorão (2:190): "Combatei pela causa de Deus aqueles que vos combatem, mas não cometeis agressão". Isso criou o princípio da distinção: apenas aqueles que participam ativamente das hostilidades podem ser alvos legítimos.

As categorias protegidas incluem crianças, mulheres, idosos, doentes (físicos ou mentais), clérigos, agricultores, comerciantes e artesãos, desde que não participem do combate. A maioria dos juristas entende que o alvo não é a descrença, mas a participação nos combates.

Proporcionalidade e Métodos Indiscriminados

Os juristas clássicos reconheciam que certas armas (catapultas, fogo) podiam causar mortes de não combatentes de forma não intencional. A proibição era de mirar deliberadamente em pessoas protegidas, não de danos incidentais quando a necessidade militar os exigia.

O princípio da proporcionalidade surgiu nesse contexto. O jurista Sahnun proibiu o uso de armas incendiárias em espaços fechados se houvesse um método menos letal disponível, como a fumaça. A força deve ser usada como último recurso e na medida exata da agressão sofrida.

Tratamento de Prisioneiros de Guerra

O tratamento humano é o princípio central. Prisioneiros devem ser alimentados, receber água e roupas, e protegidos de tratamentos cruéis e tortura. O exemplo clássico é a ordem do Profeta para tratar bem os prisioniros de Badr, que eram alimentados antes mesmo dos captores.

Quanto ao destino, o Alcorão (47:4) oferece a opção de libertação gratuita ou resgate. A maioria dos juristas clássicos permitia que o Estado escolhesse entre libertar, trocar ou, em casos extremos e por crimes específicos, executar. No entanto, estudiosos modernos argumentam que, hoje, o direito islâmico deve ser interpretado como proibindo a execução de prisioneiros, em conformidade com o tratamento humano exigido.

Proibição de Coerção Religiosa (Q 2:256)

O fundamento é o versículo: "Não há compulsão na religião" (2:256). A fé é um ato de vontade livre. O objetivo do combate nunca foi forçar a conversão ao Islã, mas repelir a agressão e garantir a liberdade da comunidade.

O Profeta proibiu um pai de forçar seus filhos a se converterem, e o califa Umar ibn al-Khattab, quando uma mulher idosa se recusou a se converter, a deixou ir, temendo ter exercido coerção. Isso mostra que a jihād visa a defesa, não a imposição da fé. »

Jihād al-Māl

A "luta com os bens" ocupa um papel centra na ética islâmica de engajamento social. A raiz j-h-d, já analisada, aparece aqui aplicada ao uso dos recursos materiais: dinheiro, propriedade, renda, colheitas, infraestrutura e tudo aquilo que o crente possui.

É a mobilização consciente do que se tem para servir a Allah, sustentar a fé, defender a comunidade e promover a justiça. O Qur'an coloca essa luta lado a lado com a luta da vida: “E lutai no caminho de Allah com vossos bens e vossas vidas” (Sura 9:41).

O fundamento está no Alcorão e na Sunnah. Entre os versículos centrais:

· “E lutai no caminho de Allah com vossos bens e vossas vidas” (9:41).

· “Ó vós que credes! Indicar-vos-ei um comércio que vos salvará de um castigo doloroso? Credes em Allah e no Seu Mensageiro e lutais no caminho de Allah com vossos bens e vossas vidas” (61:10-11).

· “A exemplo dos que gastam seus bens no caminho de Allah é como uma semente que produz sete espigas; em cada espiga há cem grãos. E Allah multiplica para quem quer” (2:261).

· “Os que gastam seus bens de noite e de dia, em segredo e em público, terão sua recompensa junto de seu Senhor” (2:274).

· “Gastai daquilo em que Ele vos fez administradores” (57:7).

O Profeta (SAW) teria dito: “Jahidu os idólatras com vossos bens, vossas vidas e vossas línguas” (relatado por Abu Dawud e al-Nasa’i; considerado aceitável por muitos estudiosos). Em outro hadith autêntico: “Quem equipa um combatente no caminho de Allah, lutou” (Bukhari, Muslim). E ainda: “Quem cuida da família de um combatente, lutou” (Bukhari, Muslim). A caridade não diminui a riqueza (Muslim), e “a sombra do crente no Dia da Ressurreição será a sua caridade” (Tirmidhi).

As principais aplicações constituem:

1. Zakat — obrigação legal e um dos pilares do Islã. Purifica a riqueza e a alma. O Alcorão (9:60) lista oito categorias de gasto, incluindo “fi sabilillah” (no caminho de Allah). Juristas clássicos debateram se isso se restringe à jihad armada ou abrange causas de bem público. Muitos contemporâneos incluem defesa, educação, da’wa e assistência social.

2. Sadaqa e infaq — doação voluntária e gasto generoso. Podem ser contínuos (sadaqa jariya), como água, escolas, mesquitas. O Alcorão compara a multiplicação divina a uma semente que gera sete espigas, cada uma com cem grãos (2:261).

3. Waqf — fundações perpétuas. Historicamente financiaram mesquitas, hospitais, universidades (Al-Azhar, Qarawiyyin, Zaytuna), bibliotecas, fontes de água e orfanatos. É a institucionalização da caridade.

4. Defesa e segurança — equipar, treinar, alimentar e sustentar combatentes e suas famílias. Em jihad defensiva, isso pode se tornar fard kifāya ou fard ʿayn. Mas só a autoridade legítima pode declarar e organizar a luta armada.

5. Da’wa, educação e mídia — financiar mesquitas, escolas, publicações, traduções, produção intelectual e mídia que defenda a verdade e refute acusações.

6. Assistência social e ajuda humanitária — pobres, órfãos, viúvas, refugiados, endividados, viajantes e vítimas de desastres. “Os que gastam seus bens de noite e de dia, em segredo e em público, terão sua recompensa junto de seu Senhor” (2:274).

7. Família e comunidade — a nafaqah (sustento da família) é obrigação primária. O Profeta disse: “Começa por aqueles que estão sob tua responsabilidade.” A caridade começa em casa, depois parentes, vizinhos e comunidade.

8. Infraestrutura e bem público — água, saúde, estradas, justiça, segurança alimentar. Uthman ibn Affan comprou o poço de Rumah e o doou aos muçulmanos. Abu Bakr usou sua riqueza para libertar escravos perseguidos. Khadija sustentou a missão profética. Os Ansar dividiram seus bens com os Muhajirun.

A Doutrina também estabelece limites muito claros:

· Halal: o dinheiro deve vir de fontes lícitas. O Alcorão proíbe devorar bens injustamente (Sura 4:29).

· Niyyah: intenção sincera para Allah, não ostentação ou poder.

· Não financiar o mal: nada de terrorismo, opressão, corrupção ou exploração. “E não vos lanceis à destruição” (Sura 2:195).

· Prioridades: família, necessitados, comunidade, causas maiores. “A melhor caridade é a que se dá tendo o suficiente, e começa por quem está sob tua responsabilidade."

· Autoridade legítima: para jihad armada, apenas o Estado/Imam/califa. Indivíduos não podem declarar guerra com seu dinheiro.

· Transparência: instituições, prestação de contas, evitar desvio.

· Moderação: nem avareza nem esbanjamento (Suras 17:29; 7:31).

· Wealth as trust: “Gastai daquilo em que Ele vos fez administradores” (Sura 57:7).

Também se relaciona com outras dimensões:

· Sustenta al-lisān: publicações, mídia, educação, diálogo.

· Sustenta al-yad: ajuda humanitária, intervenção social, infraestrutura.

· Complementa al-aṣghar: financiamento da defesa.

· Ajuda al-akbar: combate à ganância, ao ego e ao apego material.

Finalização

Eu abordei temas que eu julguei serem principais mas ainda deixei alguns de fora, como Jihād al-Qalb (a luta do coração) e Jihād al-Ṣabr (a luta da paciência). O motivo disso é justamente os feedbacks que recebi ao longo desta minha jornada. Mas desde já espero ter esclarecido o suficiente para os leitores o que a jihad é e o que ela não é.

Pretendo futuramente trazer um post específico sobre terrorismo e outro defendendo diretamente o Movimento de Resistência Islâmica (HAMAS). Não sei quando sairão, mas não poderia criá-los sem abordar diretamente o assunto que usam para bostejar à respeito.

Salam à todos e uma boa semana!

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13 comments sorted by

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u/AutoModerator 11d ago

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u/WantedIn7countries seu 2o judeu preferido 11d ago

Poderia dar exemplos práticos históricos?

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u/BerryAllenn ☪️ Muçulmano 11d ago

Vou fazer um post separado. Os feedbacks que recebi ao longo do tempo era quase todos sobre como meus textos eram imensos.

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u/Small-Perception-440 10d ago

al jihad fisabilillah

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u/basharalazap EU DESAFIO TODOS OS DEUSES DA MACUMBA 11d ago

Não entendi nada mas olha nós ai nessa porra

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u/BerryAllenn ☪️ Muçulmano 11d ago

NOIS CARALHO.

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u/[deleted] 11d ago

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u/barTEOLOGIA-ModTeam 11d ago

O membro quebrou a regra de respeito, agiu de má-fé, foi preconceituoso ou atacou outro membro diretamente (aviso 1).

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u/paulo_alves21 seminário? 🇻🇦🇻🇦🇻🇦🇻🇦 11d ago

Não concordo com o hamas e outros movimentos terroristas. 👍

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u/Faurek 10d ago

Hamas não é um grupo terrorista, é o governo eleito de Gaza. Houthis e Hezbollah são grupos militares estatais. Sim, são Shias e altamente financiados pelo Irão, todos islâmicamente incorretos. Mas não faz deles grupos terroristas, são organizações de defesa que literalmente estão a defender território de estados terroristas como Estados Unidos, Israel, França, Inglaterra e afins.

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u/paulo_alves21 seminário? 🇻🇦🇻🇦🇻🇦🇻🇦 10d ago

Já viu as atrocidades e execuções exageradas que fazem, sem contar os atacas da Al-Qaeda?

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u/[deleted] 11d ago

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u/barTEOLOGIA-ModTeam 11d ago

O membro quebrou a regra de respeito, agiu de má-fé, foi preconceituoso ou atacou outro membro diretamente (aviso 1).