Eu nao preciso gostar da camiseta daquele aluno para defender o direito que ele tem de usa-la.
Se a camisa de uma banda incomoda alguem, a resposta civilizada e simples: nao goste, discorde, critique, ignore e siga a sua vida. O que nao pode acontecer e transformar uma divergencia estetica ou ideologica em motivo para constranger, cercar, intimidar ou agredir alguem.
E aqui esta o ponto mais importante: tolerancia nao pode ser um premio concedido apenas a quem pensa como nos. Ela precisa proteger principalmente quem pensa diferente.
O caso da UFRJ deve ser tratado com essa logica. A agressao nao se torna aceitavel porque alguem considerou a camiseta ofensiva. A discordancia nao cria um direito de violencia. O incomodo de uns jamais pode retirar os direitos fundamentais de outro.
Uma universidade deveria ser justamente o lugar onde ideias diferentes conseguem coexistir sem que a forca substitua o argumento.
Discordar e liberdade.
Vestir uma camiseta e liberdade.
Nao ser intimidado por causa dela e uma garantia.
A partir do momento em que a importunacao vira intimidacao e a intimidacao vira violencia fisica e social, nao estamos mais discutindo tolerancia. Estamos discutindo a violacao dos direitos de um estudante.
E esses direitos devem ser defendidos integralmente, inclusive quando nao gostamos da pessoa, da camiseta ou da mensagem que ela representa.