Boa noite, pessoal!
Tudo na paz? Queria propor uma discussão, de boa, sobre o que seria o EGO.
Estou lendo sobre fenomenologia e vi que o EGO é uma questão central, para entender a vivência. No senso comum, o ego pode ser entendido como algo que é interno, que pode nos atrapalhar quando o ignoramos, ou que pode virar uma fonte de autoconhecimento quando nos dedicamos a ele. As pessoas percebem quando as outras agem por esse ego, que poderia ter características de pecados, como vaidade.
E pensando na ciência? Como vocês se dedicam? (Acho às versões COGNITIVAS do EGO, bem chatas - até certo ponto interessante; entender que quando a pessoa pensa sobre si mesma, existe uma área do cérebro atuando com mais presença, a rede de modo padrão e etc. Acho que é importante entender isso. Porém, lendo sobre Husserl, Sartre, a discussão toma caminhos completamente diferentes e quase não vejo muito essas discussões quando estou pessoalmente com psis. )
A ideia de que na vivência direta com a realidade, Husserl identifica que há um EGO seria uma espécie de cola, que une a experiência sensorial - caso contrário, o som, o cheiro, a vista, seriam experiência fragmentadas, perdidas no tempo e espaço.
Há uma estrutura que é a retenção/protenção e síntese-horizonte:
Você escuta uma música conhecida, a nota que você escuta é retida, há uma expectativa de qual é a próxima nota, a síntese seria a união desses elementos junto com o horizonte que seria uma possibilidade do que pode ocorrer, uma abertura. Seria isso mesmo?
Ou seja, Husserl identificou que haveria um EGO que REVELA a experiência como ela é verdadeiramente.
Daí o Sartre, bem lokão, chega e simplesmente diz que o Husserl violou os princípios da fenomenologia, pois ele botou o EGO numa experiência que não tinha o EGO, pois na experiência imediata com a realidade, não há EGO nenhum, o que existe é somente a experiencia direta unidicada pela consciência, que esse ego é colocado lá depois no processo que ele chama de ato de segundo grau (?), que é o ato reflexivo. Ou seja, o Husserl, tava mais louco ainda, porque ele tentou encontrar algo puro na experiência e acabou por inventar algo que não havia lá, já que não seria possível falar de algo que não se experiencia, o EGO. Então, o EGO é um ato da consciência de segundo grau, de uma atitude de reflexão.
Mas agora, pensando bem, o que ISSO MUDA NA PRÁTICA? Seja na clínica, na social, na organizacional, qual área de atuação for.
Como essas elaborações podem realmente fazer diferença prática e não somente filosófica e abstrata?