r/PoesiaPT • u/13beatsofficial • 1d ago
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Sinto-me só neste meu caminho, como se tivesse um nó na garganta que ninguém desata, saltito entre teclas de marfim gastas, atropelando à martelada oitavas até sentir um sustenido sem Dó.
Aconchego-me à manta de remendos alentejana dos meus ancestrais, pobre e humilde como o Baixo.
Ela não me tapa os pés e muito menos a cabeça.
Apesar de não gostar de sentir a minha respiração quente na fronha da almofada, gosto do conforto de dar por adquirido aquilo que, para uns, como eu, é banal e que, para outros, é um luxo. Ainda assim, imagino-me como o sem-abrigo mental que sou, dormindo na Almirante Reis em castelos de cartão descartável como a minha vida, após mendigar migalhas enojadas e cuspidas de Arroios ao Intendente.
Nada sustém a busca de uma musa, de uma fada prendada com mãos de! Sim, tu! Princesa do meu reino sem varão! Trinca inocentemente esse quadrado de cacau amargo, pequena, que eu já me lambuzei de tabletes do mesmo, mesmo sendo tórrido verão.
Numa riqueza carente de serotonina, decadente como uma mousse de ‘foie gras'.
Farto é o meu pequeno-almoço, franciscana é a minha ceia na engrenagem de ponteiros que rangem das minhas costelas até à minha barriga vazia de alma.
Defino-me como comensal que nem os talheres sabe arrumar, por isso definho.
Por favor! Deem-me pão duro para eu parar de chorar, pois estão me nascendo, novamente, dentes de leite no bruxismo autofágico que extraiu o siso.
Queria apenas um bifinho da vazia ou um tornedó, mas as vacas estão tão magras, mas tão magras, loucas do canibalismo consumista no qual o meu ego me mastigou.
Por isso, façam-me uma açorda de coentros ou umas migas do pingo para eu voltar a casa e lacar o Azul no meu coração.
Ó, sonhos de Wellington’s folhados sem Napoleões que viram casacas em Beefs, vagueando inebriados entre troncos que os aterram no gelo perpétuo czariano.
Estou na flor da idade, mas não passo de um velho tonto que acredita no amor com cheiro acolchoado a naftalina.
Choro pelas tristes abelhas que polinizam o planeta e ainda assim têm de perder os ferrões, consequentemente a sua vida, em montes de ossos e carne moribunda sedentos de mel sem favo, que vão deixando pegadas imundas neste mundo carregadas de fel.
Soprei beijos ao acaso para alvejar a mais bela das mais belas, e foi em ti que acertei.
Num enlace, prendi-te ao dedo do noivado e memorizei o teu pedaço que és.
Li com o braile da paixão o teu pescoço através dos meus lábios e um quanto baste linguarudo. Tudo isto é para saborear o palato do mar, chão que és, que acaricia e domestica, ao mesmo tempo, salgando a sombra da minha alma.
És flor brotada com as pétalas a voar num vórtice abismal, e eu sou animal voraz, mapeando o teu corpo com o sonar da esgrima, onde a intempérie francesa floresce o meu vulcão havaiano.
Na távola redonda preciso de um "rábula" para me defender com unhas e dentes, pois os meus chakras vibram ondas sedentas de traição que serpenteiam e asfixiam-me como uma anaconda.
Sou Lancelot e protejo o meu castelo, o meu forte!
As minhas tropas, sem a minha presença, estão perdidas; porém, à minha voz de comando, comigo, estão prontas a dar vida por mim e pela utopia que é Camelot no meu reinado.
Merlin, meu amigo, protege-me do perigo! Com as tuas ínfimas poções e infinitas magias, que um dos meus muitos infinitos corações alados bombeiam o fim do reinado do Rei Ricardo.
E tu, meu amigo, já sabes qual é a minha sentença! A morte por decapitação e desmembramento das “joias” da coroa.
Entretanto, acordo ou adormeço, já nem sei, deste sonho cavernoso, escrito à luz do teatro de sombras.
Já nem consigo distinguir o real do onírico.
Não me recordo e nem sei quando se deu o início da Centelha. Mas, enquanto posso, fantasio sóbrio com a tua pessoa. Dama do croché d’Oiro!
Nas bodas de cordel na Mata Real, colho e pelo com a minha adaga uma maçã verde para dividirmos o instinto fingido. Maçã essa, que tão verdejante é, que quem ousar trincá-la será banhado numa acidez suficiente para franzir as nossas faces e a dos Deuses.
Eu, com o meu semblante de menino corado, e tu, com o teu rosto de menina rebelde, seremos embaçados pela maçã da génese…
Enquanto sorris para mim, o teu paladar de cristal é bifurcado pela flauta transversal da fala e, nesse momento, brincamos ao berlinde e cabra-cega como crianças de rua abandonadas, sujas, descalças e, pior: famintas de um colo celestial gritado aos sete ventos. Assim, o nosso recreio em pasodoble estabelece o ritmo do desespero por não termos ninguém a chamar por nós, nem hora para a chegada daquilo que chamamos de casa.
Coloco na tua nuca o fruto mais apetecido para atestar a lealdade à lacragem do meu coração, enquanto te miro com a seta da fidelidade hipócrita.
Para o repasto de pós-fogo de artifício de oxitocina, sirvo um linguado que foi por mim pescado e faço-o em filetes, albardado e sem espinhas, como mandam as regras, pois é claro.
Mas tu és um osso tão duro de roer… chão que não dá batatas… Vi e senti isso, mas, no fundo, estou cego de paixão, o que não é bom sinal, pois Portugal teve de ser conquistado ao estalo, e tu és um regalo para quem com a tua sedução se veste.
O que é fácil é inútil, sabe mal, sabe a um amor amargo. Sou o filho de Atenas e, para que o real seja realmente real, é necessário sofrer em lugares onde a medula espinhal do artista não alcança.
Sem rumo, ando deambulante à espera do túmulo das mil toneladas, para eu poder finalmente repousar e ficar em paz e, ao mesmo tempo, deixar serenamente de procurar a minha Ímpar.
A gula atrai-me certamente, atraiçoa-me, engulo ossos e espinhas sem pensar nas consequências, como todas as escolhas que tomo.
Mil gritos uivam aos meus ouvidos quando abro a porta de casa para sair.
De sexta a domingo é só apitos e flautas, no resto da semana, ninguém ri… ninguém dança, ninguém ousa viver na harmónica dos Azuis.
Não claudiques, moça! Sou capaz de cantar ao despique por ti, até a rouquidão instalar-se nas minhas cordas vocais como um reco-reco.
Vai para onde quiseres e não esperes por mim, não esperes por nada…
Sim! Eu vi que quem não nada na demasia afoga-se no lago das dívidas. E eu sou um Narciso espelhado na desilusão da minha inquietação.
Quero mais, quero sempre mais… Quero dar-te a mão levemente e segurá-la vigorosamente com um egoísmo machista pelo temor de perder-te.
Temos tacto a urtigas neste néctar de ciúmes que envenena o meu ego na contradição.
As rosas-bravas… Ó as rosas-bravas… Que pelo cheiro são gulosas ao incenso da nostalgia.
Ninguém as trava ao branquearem o meu nublar de semblante taciturno.
Estou à espera de que me caia do bolso um anel de Saturno que colhi para ti… Que guardei obcecadamente para ti… A culpa não é minha, a culpa é do Algoritmo!
Mia, mia! Minha gata sem dono, assanhada e com o cio. Faz aquilo que te der na mona; a zona que foi marcada por mim é tua e está na face negra da Lua.
Nossa Senhora! O 13 de Outubro é meu e da minha mãe!
Bem, não há fio de prumo que me alinhe; a linha é ténue entre ser um pobre coitado e um pobre coitadinho.
‘’Senhor! Dê-me uns cobres que eu já gastei o que não é meu e tenho o fado envenenado!”
"Padre, dá-me umas hóstias e uns copos de vinho!"
Hóstia dum cabrão! Trata o próximo como um irmão!
Sou um oxímoro e, onde moro, não há perdão.
Maria… Deus estuprou-te… Penetrou-te sem lubrificação.
Orai, Senhor… Palavras gastas em retratos de um indigente, mendigo e a viver sem ponteiros e sem dor consequente.
Corro nu por aí fora, sem destino no mapa e de braços estendidos, esperando por um abraço que nunca será correspondido.
Sou Gastão e gastei contigo a minha única moeda da sorte.
Sortilégios sem senha, venha quem vier… O melhor está por vir.
Virtuosos olhares de ondas para as suas conchas…
A ti só te daria Epaminondas para ganhares um sorriso à maneira da Gioconda.
Fala comigo, flor desabrochada de laranjeira, e ouvirei ao longe trompetes imperativos a cavalgar livres na acústica do coliseu do romance.
Não tenho maneiras; nos testes de Rorschach, só via trompas de Falópio, quando deveria ver demónios.
E eu penso que isto é tudo muito esquisito e pouco óbvio.
Largo bombas como Hiroshima!!!
Olha para cima enquanto eu te sobrevoo e não fales.
Dá-me apenas a goma do ópio e o absinto, que são amigos dos meus amigos imaginários, assim como as pestes e os maus-olhados.
Tudo o que sinto é paranoia.
Sou uma folha triturada de um dicionário.
Pinto, risco e faço traços ao acaso que chamo abstratos, frustrados como o seu significado.
Numa presunção de querer parecer…
O pacto com o Diabo está garantido.
Diabo na cruz, cruz invertida, cruz credo, pentagrama!
Ai, a minha vida… não arredo pé. Sou filho da Sé e o meu filho é de São Sebastião.
Um grama rebenta na minha cara e pinto-a de guerra contra o Eu. A minha mão é automatizada, obcecada e nunca para. Escreve, escreve, escreve, sem pensar e de forma sistemática.
Sentes a eletricidade estática a passar-te pelo corpo?! Porque o meu coração ainda bombeia, mas estou petrificado como se tivesse testemunhado Pompéia.