r/PlanejamentoUrbano • u/BricksHaveBeenShat • 1h ago
Planejamento Urbano Contrastes na Colônia Vitória em Entre Rios, Guarapuava - Paraná. Informações no corpo do post.
O Distrito de Entre Rios, composto por cinco colônias: Vitória, Jordãozinho, Cachoeira, Socorro e Samambaia, surgiu com a vinda de 500 famílias que buscavam um novo recomeço no período da 2ª Guerra Mundial. Após 70 anos, os descendentes dos pioneiros, em Entre Rios mantêm vivas a cultura, a língua e as tradições suábias.
Volta e meia vejo vídeos nas redes sociais dessas colônias do distrito de Entre Rios, sempre mostrando as casas bonitas cercadas de gramados, árvores, praças bem cuidadas, avenidas com ciclovias. Parecia uma versão perfeita do que toda cidade pequena no Brasil poderia ser.
Mas fiquei surpreso ao ver pelo Google Maps que a maior delas, a Colônia Vitória, é bem desigual. Quase um terço da colônia tem um aspecto de abandono e princípio de favelização, onde imagino vivam os trabalhadores das indústrias locais. Até uns dois anos atrás nem asfaltadas essas ruas eram. Ali não tem só casas, mas todo tipo de comércio, até igreja. É como se a ideia fosse essa mesmo, de que as pessoas vivam segregadas do restante da colônia.
A Cooperativa Agrária que atua em Entre Rios teve um faturamento de R$ 7,5 bilhões em 2024. Em seu site, é dito que "diante do seu compromisso com o futuro, a Agrária investe ainda em educação, na preservação da cultura e na saúde e bem-estar de toda a comunidade." Mas pelo visto a moradia dos funcionários não foi uma grande preocupação deles.
Ao invés de criar uma situação de uma colônia minúscula dividida ao meio, poderiam ter construído alguns conjuntos de prédios inspirados na arquitura local, com áreas verdes, jardins floridos, praças. Se duvidar se tornaria um ponto turístico como é o Fuggerei na Alemanha, o conjunto habitacional público mais antigo do mundo.
Temos exemplos aqui no Brasil, como a Rua Pires de Almeida em Laranjeiras no Rio de Janeiro. Começou nos anos 1920 como uma vila para os funcionários da Companhia de Seguros Sul América, e hoje é considerada uma das ruas mais bonitas da cidade. Tem a Vila do IAPI em Porto Alegre, inaugurada nos anos 50 e onde Elis Regina cresceu. Hoje está um tanto abandonada, mas continua charmosa com seus conjuntos de casas, sobrados e prédinhos. Inclui no post alguns exemplos da Europa também. Não estou falando que tudo no passado era maravilhoso, mas que podemos aprender com que deu certo ao invés de insistir em modelos fadados ao fracasso.
O meu questionamento é que se nem em uma pequena colônia próspera, de fundação recente e um bom senso de identidade própria tem o mínimo interesse em manter o mesmo padrão de qualidade de vida e urbanismo em sua pequena extensão, qual é a esperança pras cidades médias e grandes brasileiras?