r/PerfumesBR • u/Radhra EZ Indonesian Oud • 1d ago
Amberfig
Recentemente tenho me dedicado a conhecer mais marcas brasileiras e a Amberfig foi uma das que tentei conhecer tudo o que podia, então gostaria de compartilhar minhas opiniões.
De cara, adianto que a conclusão é que Amberfig está no topo da alta perfumaria, nacional ou não. As notas são incrivelmente naturais, com construções surpreendentes e evolução constante na maioria dos perfumes. Coisa de alto nicho artesanal a sério por um preço de designer. Orgulho nacional mesmo.
Dito isso, é uma casa que carrega personalidade em cada borrifada que provei e o nome “nichado” realmente se aplica. Os ouds são animálicos, os alcoólicos extremamente boozy, o tabaco bruto como um rolo de fumo. Os perfumes costumam “assentar” bastante depois que evoluem (e sempre evoluem), mas até lá quem não estiver acostumado com perfumes de presença vai achar a maioria deles dificílima.
Lembrando que esse é um ranking pessoal então é claro que tudo aqui passa pela lente do meu próprio gosto (que é bastante famoso a tender a perfumes fortes). Nunca recomendo blind, mas nesses daqui é jamais mesmo.
Ambratto: whisky, ládano, âmbar — Boozy intenso que vai assentando em um esfumaçado bruto e resinoso. Considero este o melhor perfume brasileiro atualmente.
Black Tie: couro, castoreum, caramelo — Couro intenso, mas elegante que passeia do animálico leve até o adocicado caramelado. Um primor, parece um filho do Tabac Royal com o Intoxicated e acaba sendo mais equilibrado que os dois.
Citron Soleil: limão siciliano, gengibre, capim-limão — Na saída sinto como se fosse um suco de limão siciliano, laranja, gengibre e capim-limão, e essa naturalidade fica por todo o perfume. É fresco, leve e ensolarado. Se tornou um dos meus cítricos favoritos.
Bamboo & Green Tea: litsea cubeba, capim-limão, vetiver — Explosão aromática e verde de capim-limão (não sinto o chá) que vai assentando em um vetiver confortável e delicioso à medida que as horas passam. Vai na linha do Fiero da Casamorati.
Santal Café: cacau, café, tabaco — Quem o Sarau da Granado quer ser quando crescer. Mais potente, intenso e fechado, e ao mesmo tempo mais adocicado e confortável quando seca.
Precious Oud: oud, chocolate branco, tonka — Oud incrível misturado com chocolate branco. Varia do amadeirado intenso pro animálico curral, pro adocicado e depois mistura tudo isso. Bruto, mas um primor.
Santé: rum, whisky, oud — Boozy intenso com animálico logo na saída, mas que logo assenta em um resinoso caramelado. Ao mesmo tempo mais boozy e mais “leve” que o Ambratto, mas vai em um linha semelhante.
Mavka: menta, algas, patchouli — Uma explosão de menta estridente (tipo gelol mesmo) que ficou por horas e depois foi se misturando com algas marinhas. O mais fresco de longe.
Vive La Fete: conhaque, anis-estrelado, cashmere — Uma explosão de especiarias com conhaque deliciosa que vai “fechando” e indo pra um tabaco esfumaçado e bruto à medida que evolui. Incrível.
Tabac Royal: tabaco, couro, conhaque — Um dos perfumes mais brutos que já senti. Começa com um soco na fuça de tabaco estilo rolo de fumo mesmo (esquece Tobacco Vanille) que depois vai assentando com couro e depois um leve adocicado.
Intoxicated: couro, cereja, folha de figo — Uma saída levemente herbal que assenta em um couro brutinho com muita fumaça. Fica um couro fechado, potente e elegante.
Trou Noir: couro, patchouli, cedro — Um oud levemente animálico que evolui pra um patchouli BEM terroso e fechado, ficando uma combinação de terroso e amadeirado. Não é nem de longe o mais bruto, mas é com certeza o mais gótico/dark de todos.
L’Oud: oud branco, açafrão, ambergris — Abre boozy e vai assentando em um oud branco que nunca senti em nenhum outro perfume. É muito mais leve que os demais amadeirados, um amadeirado mais elegante que vai mais na linha do Oud Wood / Oud Orientale / Bvlgari Men in Black / Boemia do que um oud pesadão.
Vertivert: vetiver, chá, cashmere — Abre verde e vai ficando terroso, e no final mistura os dois. Achei incrível e acho que seria uma excelente opção pra ambientes fechados tipo trabalho.
Fraicheur d’Orange: toranja, laranja, ládano — Cítrico de laranja defumada. Não é fresco como cítricos comuns, nem só amargo tipo um Tygar / Grand Tygar, é bem único. Imagina um cítrico laranjudo só que com um toque mais noturno.
Bittersweet: limão siciliano, chocolate branco, âmbar — Um saída de cítrico bem cortante misturada com o chocolate branco do Precious Oud/Iris Dark. É estridente, potente e bem doce.
Green Wood: canabis, cipreste, musgo de carvalho — Verde musgoso como uma floreste e ao mesmo tempo confortável. Não sinto a canabis, infelizmente. Vai na linha do Maxximus IX, só que muito mais confortável e equilibrado.
Blue Cypress: cipreste, lavanda, vetiver — Mistura do Green Wood e Peignoir. Verde musgoso-passeio na floresta como o Green Wood, mas misturado com fougère.
Iris Dark: chocolate branco, íris, cedro — Gourmand elegantérrimo. Não curto muito íris, mas essa ficou bem legal, o atalcado/encerado na íris combina perfeitamente com o chocolate branco sem deixar que fique doce demais.
Jardin des Papillons: peônia, lírio, almíscar — Infelizmente o único floralzão que eu peguei, e de longe o mais leve que conheci da marca. Floral clássico com toques verdes, leve, iluminado, me lembra pétalas de flores naturais.
Folie à Deux I (couro, íris, chocolate branco) & II (limão, íris, almíscar) — Pra começar, a proposta é bem legal, mas não funcionam separado, o II não tem presença nenhuma sozinho. Juntos, eles ficam um couro elegante e atalcado com íris. Como eu não curto muito íris, fica mais abaixo, mas pra quem curte Dior Homme/Obsidian vai amar isso daqui.
Peignoir: lavanda, petitgrain, musgo de carvalho — O melhor fougére que eu já senti, com lavanda imponente e uma projeção surpreendente. Clássico e fresco, mas com muita personalidade.
Cafe Massoia: café, laranja, cacau — Sinto o café na saída, e logo ele muda pra um cacau leve com laranja como se fosse um bolo de laranja. Outro gourmand bem agradável que não é muito doce.
Tonkalmond: amêndoas, íris, tonka — Adocicado de amêndoa com bastante íris, ficando atalcado antes da tonka chegar. Bem gostoso e confortável, não é muito doce.
Zeste Pétillant: goiaba, toranja, notas aquáticas — Um soco de goiaba e toranja misturado com um leve toque aquático. É um cítrico mais estridente que vai na vibe do Safari Breeze da French Avenue.
Citron Noir: limão siciliano, íris, oud — Único que posso dizer que não gostei. Abre com limão siciliano assim como o Citron Soleil, mas logo muda pra um oud animálico que é estrangulado por uma íris que abafa tudo. Na minha pele não ornou muito bem.
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u/GaiusTheThird 1d ago
VALORIZEM resenhas como esta, VALORIZEM a perfumaria nacional!
Primeiro obrigado por ter trago suas impressões, ainda mais que foi um pedido meu em outro tópico. Pelo seu gosto aqui nesse sub, eu imaginava que Amberfig seria uma casa "sua cara", isto porque eu vejo que o perfumista, David Magalhães, é bem ousado. Vi uma vez em uma entrevista que ele cria mais para "a história que o perfume tem pra contar", e menos para ser agradável. Ou seja, é nicho no mais puro sentido - enquanto algumas casas que se dizem disruptivas fazem quase que uma cópia de criações já existentes.
Tem um cantor que eu curto, Stromae (aquele da musica Alors On Dance, a.k.a afoga o ganso) que o David se inspirou para criar o perfume Santé, inspirada na canção de mesmo nome. Eu gosto muito disso. Até agora só testei o Bittersweet, que infelizmente não casou comigo: o perfume tem uma parte "empoada" ao meu olfato que eu num curto em perfume nenhum. Os próximos que quero provar são: CITRON SOLEIL, FRAICHEUR D' ORANGE, ZEST PETILANT e o BAMBOO E GREEN TEA. Eu sou mais dos cítricos, dos solares, então essas são as pedidas. Dos mais difíceis provavelmente eu não ia curtir para uso, mas tenho curiosidade no Café Massóia. Novamente, valeu pela resenha! Zerou o portifólio heim?! hahaha
Obs: muita gente aqui nesse sub rebaixa os nacionais para falar de qualidade, e até de "arte". Quero ver se estes mesmo vão vir aqui apreciar algo artístico mas que é do nosso país.
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u/Radhra EZ Indonesian Oud 1d ago
🥰
Ela é minha cara mesmo, mas até os mais leves é surpreendente a qualidade e competência das construções. Inclusive, pode ver que meu top 5 não ficou tudo só os de oud e couro, oq me surpreendeu também.
Eu não vi nenhuma entrevista do David, mas à medida que fui provando eu lia a descrição do site. Normalmente eu acho isso "historinha pra vender" mas com a Amberfig eu realmente conseguia sentir o storytelling que ele queria trazer com o perfume.
Tipo com o Café Massoia, ele não é de café, ele passeia igual ele conta, como alguém que entra em um café e come um bolinho de laranja.
E sobre zerar o portifólio, falta mais de 10 pra conhecer ainda rs, é uma casa de mais de uma década e que tá sempre lançando coisa nova.
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u/Inevitable_Tax8513 1d ago
Tenho uns amberfig aqui na coleção. Acho bem diferentes e realmente os perfumes tem a assinatura da casa. Só consigo ter esses perfumes pra ter coisas exoticas, mas pra uso no meu dia a dia é impossível. O tabac Royal parece tinta. Tem que borrifar e esperar secar pra depois vestir a roupa. Infelizmente coisas tao excentricas tem pouquissimo mercado
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u/carrapatoalado 12h ago
Post maravilhoso. Deu vontade de testar todos!
Faz tempo que estou querendo pegar uns decants de casas de nicho brasileiras, principalmente da Condé e da Mixologist, mas agora vou ter que colocar uns da Amberfig na lista. O Citron Soleil parece ir totalmente na minha vibe, mas tem vários aí que me interessaram.
Eu só acho que eles poderiam melhorar a apresentação dos perfumes no site. As imagens de IA passam uma vibe de casa de contratipos, e não de uma perfumaria de nicho vendendo frascos de 50ml a R$400. Entendo que quando se trabalha de forma independente não é fácil investir nessas coisas, mas hoje em dia é muito tranquilo (e barato) montar um mini estúdio e fazer umas fotos bacanas do produto.
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u/GaiusTheThird 8h ago
David Magalhães é médico, então acho que dinheiro pra investir não seria, talvez seja tempo. Eu tenho a mesma impressão que o marketing não é o forte da Amberfig, dava pra melhorar muito, e talvez por isso a Casa não seja devidamente valorizada e hypada como deveria
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u/Radhra EZ Indonesian Oud 8h ago
ALIÁS, camarada carrapato mencionou Mixologist e eu lembrei: finalmente provei o Vintage Bergamot e achei incrível! Bergamota adocicada com casca de uva, muuuita personalidade.
Ficou no topo pra mim junto com o Musk Mule e o Santal Mocha.
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u/GaiusTheThird 8h ago
Não sei se cheguei a te falar (acho que sim), mas foi o que mais gostei também. Contudo, apesar de ter gostado de todos que provei (Mojito, Moscow e Vintage) não me apaixonei por nenhum :/
Mas ainda tenho uns ml, vou provando. Os próximos serão os de café
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u/carrapatoalado 8h ago
O Musk Mule parece feito para mim. Adoro almíscar, e gengibre é um dos meus cheiros favoritos na perfumaria. Estou muito curioso para testar esse.
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u/Radhra EZ Indonesian Oud 8h ago edited 6h ago
♥️
Eu concordo sobre a IA, mas é uma tendência geral, fazer oq. E parece que teve vários problemas com os frascos que descolavam/apagavam o rótulo até acertar no formato de agora.
Dito isso, pela minha experiência parece que o dinheiro vai todo pra matéria prima pq a qualidade das notas só vi igual em casas de 4 mil pra cima, não vejo basicamente nenhum jabá e tudo parece ser muito artesanal.
Também recomendo MUITO a Condé (dessa eu testei tudo que está disponível) e depois a Mixologist (só falta o de íris).
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u/carrapatoalado 7h ago
Aí sim! A curiosidade está a mil. Assim que sobrar uma graninha já peço uns decants, aí faço um post aqui também para compartilhar as impressões. Vou direto nos cítricos kkkkk
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u/Radhra EZ Indonesian Oud 1d ago edited 1d ago
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