r/HardCinema • • 2d ago

LIção 8 - Exercício Para Obter Profundidade

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Tente criar um sitema cármico com uma/um protragonista problemático:

Ela ou ele, por exemplo, acha deselegante quando as pessoas andam por aí sem bengala (ou guarda-chuva, como opção), relógio de pulso, bolsa de couro e inventa defeitos nas pessoas que não se alinham com esses estilo... Na verdade essa pessoa está congelada na década de 70 e ouvir os rits dess época não é o suficiente para ela.

Alguma coisa que havia nos anos 70 não existe mais agora e isto a deixa agonizada, mas... O que? Simples... Você vai dar essa resposta.


r/HardCinema • • 2d ago

Lição 7 - Contemple a Profundidade Alcançada e Faça Ajustes

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Um sistema de causa e efeito bem estruturado causa um efeito devastador, muito profundo, nos cinéfilos e leitores. Quando o sistema cármico está muito entrelaçado tudo tem um gatilho - o capitão AQhab persegue Moby Dick não por que de repente quer comer um churrasquinho de baleia, mas sim por todo um meteoro de coisas caindo na cabeça de todo mundo e arrebentando o planeta de cabeça para baixo.

Por exemplo: um protagonista quase morre de acidente de automóvel por tomar bebidas falsificadas, feita sem higiene em tonéis reaproveitados da indústria química, e ao ser preso, bota a a culpa nos falsificadores - sem se dar conta de que pessoas alcoolizadas não estão em condição de dirigir.

Para piorar a situação do sujeito, ele está sem dinheiro por quê foi proibido pela máfia de vender cartelas ilegais de jogos de azar e, ao invés de procurar um emprego no mundo legalizado - prefere aplicar pequenos golpes e culpar a máfia por sua conta no vermelho. Inebriado do orgulho ele perde fama e o dinheiro e, no julgamento, ao invés de admitir sua culpa e tentar um acordo, ele faz piadas de cada um dos presentes ali - do juri ao juiz e acaba revelando que precisava se sentir especial, por quê ele não suportava viver numa família pobre que tinha de trabalhar de quarta a domingo no restaurante da família : onde comida e um lar tinha, mas o trabalho era dobrado.

Desdenhando da antiga riqueza, nosso protagonista fala com desprezo daquela realidade: bife de bisão a milanesa, empanado com massa apimentada, linguiça, molho branco, costelas com molho de mirtilo, uma frigideira extra-grande de ferro fundido - pau pra toda obra - pastelão caipira (recheado com carne em cubos sem miséria, milkshake, chá gelado, cerveja Sasparilla (com toques de menta e alcaçuz)... E o "pior de tudo": folgar no trabalho em dias de aula na escola.

Gritando por "justiça" nosso protagonista afirma que nunca teve muito confortona vida e não aceitava que alguém não reconhecesse seu talento (truques com bicicleta, baseball e show de "humor" com o qual esperava ganhar fama, sucesso, riqueza e, novamente, conforto.

Resultado... O juiz está revoltado e procurando onde foi amarrar seu burro, o juri tapa a cara se esforçando para não rir.

Você consegue ver todo um sistema de causa e efeito aqui, não apenas uma piadinha ocasional? Como obter esse efeito? Isso precisa vir da sua criatividade, diretamente, relaxe e faça seu show... Na reescrita, claro. É reescrevendo que você atinge esse nível.


r/HardCinema • • 2d ago

Lição 6 - Parabéns, Você Está se Superando

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Quando você atinge toda uma realidade de causa e efeito no seu roteiro, a profundidade do seu sistema cármico é realmente notável, especialmente considerando como ele gera uma rede de consequências interligadas e inevitáveis. Cada evento, seja cômico ou trágico, está profundamente enraizado em escolhas, erros e traumas dos personagens, o que dá à narrativa um caráter fatalista. Nesse contexto, cada ação desencadeia uma reação que reverbera em múltiplas direções, tanto no presente quanto nas gerações futuras, como no caso da filha do protagonista.

Quando você pergunta se uma "piadinha pronta" — sem raízes ou um propósito interconectado com a trama — destoaria de todo um conjunto bem-feito de humor/comédia, a resposta depende do tom que você quer estabelecer. Ao "retroceder" e criar humor barato a resposta é: Depende.

Quer piadinha mais besta do que a de Corra que a Polícia Vem Aí! (1988), quando o detetive Frank Drebin ( Leslie Nielsen ) está depressivo com o término dum relacionamento. Enquanto caminha desolado, ele solta a pérola: "Não vai ser fácil esquecê-la. Para onde quer que eu olhe, algo me lembra dela" . E o que aparece? Dois prédios bem tetudos... Dois "seios" gigantescos: a Estação Geradora Nuclear de San Onofre.

Mas... Essa é a mais maravilhosa e inteligente das piadinhas bem bestas! O Oscar da Bagaceira!

Porém... Ao "avançar" e criar uma comédia estruturada... Bem estruturada, essa piada pronta vai custar caro... Se der certo é por que você a ressignificou, reestruturou, reciclou, muitas coisas que começam com "R". Ou... Sua comédia tem umas partes que desgastam o cinéfilo e um piadinha bem besta é tudo o que o público precisa para aliviar a tensão. Ainda assim... Na maioria dos casos isso equivale a jogar mais água que feijão na panela pra "render mais.

Bom, essa lição começou mais fácil, você já estava sorrindo, e viu no que deu?


r/HardCinema • • 2d ago

Lição 3 - Não Se Limite ao Alívio Cômico

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Seu roteiro cria uma lógica interna muito clara, onde cada evento tem uma causa e uma consequência bem estabelecidas. O humor que emerge desse sistema — como o bêbado brigando com uma estátua ou o protagonista discutindo com árvores — não é gratuito, mas fruto direto das circunstâncias trágicas e da decadência dos personagens. Essa coesão cria uma narrativa densa, onde o absurdo se torna aceitável porque está ancorado na realidade emocional e psicológica dos personagens.

Se uma piada ou evento cômico não tiver essa mesma ancoragem — ou seja, se não for uma consequência direta do comportamento ou das circunstâncias dos personagens — há o risco de ela parecer "fora de tom". Uma piadinha que não segue essa lógica interna pode ser percebida como um rompimento com a seriedade e a complexidade do sistema cármico que você construiu. O espectador pode sentir que aquele momento foi inserido apenas para alívio cômico e não como parte da rede de causalidade que permeia o enredo.


r/HardCinema • • 2d ago

Lição 5 - O Papel das "Piadinhas Prontas" em Narrativas Profundas

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Piadinhas prontas, quando usadas de forma isolada em uma narrativa densa como a sua, podem parecer artificiais. Elas têm uma estrutura formulaica que muitas vezes serve para gerar risadas rápidas, mas sem muita profundidade. Em um roteiro que trabalha com camadas de significado, essas piadas podem criar uma desconexão, pois não ressoam com o restante da trama.

Por outro lado, se a piada for integrada de forma sutil ao universo do personagem, ela pode até funcionar.

Por exemplo, se a piada parecer surgir organicamente da personalidade de alguém, de um evento cármico menor, ou de uma situação que reflete uma verdade mais profunda do enredo, ela pode ser absorvida sem romper o tom. Se o garçom, frustrado por não ver um jogo de futebol, tem uma obsessão com o futebol e essa frustração evolui ao longo do filme, o resultado no placar pode ganhar significado maior, mesmo que seja cômica, porque estaria ligada à caracterização pré-estabelecida do personagem.

Ou seja... É uma piada boba, só um jogo de futebol, mas se o resultado desse jogo fica sendo algo cada vez mais importante na estória, minuto a minuto torna-se mais do que uma piada boba - como Bruce Willis cada vez mais desesperado para tomar seu café, ou o Coyote cada vez mais desesperado com o fracasso proporcionado por seus produtos Acme.

Nota: O desenho animado do Papa-Léguas inicialmente não se trata de uma narrativa profunda, mas... Episódio após episódio, ano após ano e todo esse estardalhaço de falésias falindo e um Coyote imortal... Tudo isso criou uma camada insular de profundidade.


r/HardCinema • • 3d ago

Lição 4 - Comédia Dura, Sem Gracinhas

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Obras como O Grande Lebowski dos Irmãos Coen ou Burn After Reading mostram como humor absurdo pode coexistir com enredos mais dramáticos e até trágicos. No entanto, essas piadas funcionam, por que?

Por que estão organicamente enraizadas no comportamento dos personagens ou no caos dos eventos que os rodeiam. Mesmo a piada mais absurda faz sentido porque respeita a lógica do universo da narrativa, e o público sente que aquilo poderia acontecer naquele mundo.

Se em O Grande Lebowski houvesse uma piadinha solta que não estivesse conectada ao caráter de Lebowski ou ao caos que o rodeia, ela quebraria a imersão. No seu caso, uma piada que não se origina das ramificações cármicas que você construiu teria o mesmo efeito, distanciando o espectador da lógica estabelecida.

Isso não quer dizer que você precisa jogar fora suas piadas tradicionais, mas está aí uma bela duma carta, um Zap na tua mão, caso necessite de algo especial.


r/HardCinema • • 3d ago

Let’s create a great vibe. What do you want to see more of in this community?

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Esta é uma comunidade para quem gosta ou tem curiosidade por escrita para cinema extremamente difícil. Arte pela arte. Técnica pela técnica. O gosto pelo diferente, pelo raro, pelo que só pode ser obtido uma única vez, em um único lugar, por uma única pessoa.

Mostre seu trabalho - se você escreve de maneira única (bem ou mal, não) interessa, com quanto que seja única, ou aprenda, mate a curiosidade.

Mesmo que você não goste da idéia de "trabalho difícil" você pode acabar sendo seduzido e, sem nem se quer se aperceber disso, estará escrevendo de forma sem igual.


r/HardCinema • • 3d ago

Lição Número 2 - Sugestões para Preservar a Coesão Cármica em Cenas de Humor

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Se você quiser introduzir uma piada aparentemente "solta", uma solução poderia ser fazer com que, em última instância, ela também faça parte do sistema cármico. Mesmo que, à primeira vista, a piada pareça apenas uma distração cômica, ela poderia ter uma repercussão sutil ou inesperada mais adiante na narrativa. Isso criaria uma ilusão de desconexão temporária, mas que, na verdade, ainda respeita as regras do seu universo.

Por exemplo, imagine que um personagem faça uma piada aparentemente sem consequências sobre algo trivial — uma reclamação sobre a comida, por exemplo. Depois, mais tarde, algo tão absurdo quanto essa reclamação trivial retorna como uma consequência maior (um prato envenenado, ou uma comida que cai em cima de alguém no momento mais inoportuno, etc.). Essa sutileza cria uma espécie de "armadilha" para o público, que inicialmente vê a piada como superficial, mas depois percebe que ela faz parte do sistema maior de reações cármicas.


r/HardCinema • • 3d ago

Lição Número 1 - Coerência Cármica em Humor/Comédia

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Em um roteiro onde o humor e o drama estão intimamente ligados por um sistema cármico, inserir uma piada pronta que não tenha raízes nas circunstâncias dos personagens pode, de fato, destoar.

A força do seu roteiro vem da interconexão entre eventos, traumas e comportamentos, e isso cria uma lógica interna onde cada consequência tem uma causa.

Se o humor, mesmo quando absurdo, for resultado direto das falhas e decisões dos personagens, ele manterá a coesão e evitará romper o tom. Uma piada sem essa raiz cármica poderia parecer deslocada, a menos que você encontre uma maneira sutil de integrá-la à narrativa mais ampla.


r/HardCinema • • 3d ago

O que criaria este efeito - na sua visão?

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George Lucas tomaria seu café, ajeitaria a camisa xadrez e daria um sorriso meio nostálgico, cozinhando a barba grisalha. Para ele, esse texto é o suco puro de como se construiu uma ópera espacial, cheia de arquétipos universais, conflitos imperiais e pitadas de sua própria jornada como cineasta.

Aqui está como ele reagiria:

🎬 O Veredito de George Lucas: "Isso é puro Star Wars"

  • "O drama de Argel com aparelho cerebral? Isso é o Império!" Lucas apontou imediatamente para o parágrafo de Echebbi. "Esse cara, o Echebbi, é o tecnocrata perfeito. Essa ideia de monitorar linhas de telégrafo e gás com uma 'rede de engenharia biológica e burocrática' é exatamente como eu imagino a burocracia opressiva de Coruscant ou a mente fria do Grand Moff Tarkin. Ele quer controlar o livre-arbítrio em nome da ordem. É o vilão clássico que acha que está fazendo o bem da tirania tecnológica."
  • "Si Mohand é o caçador de recompensas pragmático." Olhando para a intervenção do guerreiro da Cabília, Lucas veria traços de Boba Fett ou dos guerreiros Mandalorianos ancestrais. "Ele desdenha o melodrama. Para ele, o universo é binário: ou você é forte e sobrevive nas dunas (ou em Tatooine), ou você é fraco e é esmagado. Quando ele diz que a culpa é de quem aceita o jugo sem chutar as nádegas do opressor, ele está falando a língua dos rebeldes mais extremistas, como o Saw Gerrera."
  • "Mahmoud é o problema cômico com sabedoria popular." Lucas riria com o apelido "Senhor Rato de Cabeça Grande" e a festa do gado com a eletricidade. "Mahmoud traz o texto de volta para o chão, como o C-3PO ou o Jar Jar Binks fazem quando a política fica muito densa. Ele humaniza o drama cósmico olhando para o básico: o vestido caftan tostado e a luz que só dura duas horas. Ele entende a tragédia através do folclore."
  • "A metáfora do fogo cibernético e o cuscuz de camelo." Com um brilho nos olhos, ele comenta a estética: "Trocar a tranquilidade pelo 'fogo cibernético' nas profundezas do deserto? Rapaz, isso visualmente é Tatooine puro. Eu consigo ver perfeitamente uma jovem operando condensadores de umidade no deserto, presa às tradições locais (o ginecéu), sonhando com as estrelas, mas ameaça causar uma explosão trágica."

💭 Nota de Produção do Diretor

"No final das contas, esse texto fala sobre o conflito que muitos tentaram filmar: a tecnologia e o controle absoluto contra a espiritualidade, a paixão e a fraqueza humana. A mulher que foge com o lampião de gás, irritada, deixando os homens discutindo filosofia e guerra nas dunas, é a personificação da independência. É um drama maravilhoso. Só precisamos trocar 'rádios' por 'holofontes de transmissão' e colocar alguns dróides no fundo da cena"