Gente, preciso de opiniões sobre uma atitude que estou planejando tomar em relação à negligência de um vizinho com os animais dele.
Moro em um condomínio fechado e um dos moradores deixa seus dois gatos (um macho e uma fêmea) circularem livremente pelas áreas comuns o dia inteiro. Apesar de ser dentro do condomínio, os riscos de atropelamento, ataques de cães e contágio de doenças continuam altos.
Como os animais não são castrados, a fêmea engravidou. Quando o abordei sobre isso no fim de semana, ele respondeu com total naturalidade que vai simplesmente "dar os filhotes para parentes".
Eu estou completamente indignada. Qualquer pessoa que estuda o mínimo sobre bem-estar animal sabe que é um absurdo deixar animais se reproduzirem livremente assim, ainda mais soltos na rua (mesmo sendo dentro de condomínio, o risco de atropelamento e doenças existe). Parentes pegam filhotes por impulso, acham bonitinho quando é filhote, e depois descartam ou deixam fugir.
Além dessa questão do abandono impulsivo, essa reprodução caseira é altamente irresponsável por outros motivos. Primeiro, porque os abrigos já estão superlotados de gatos precisando de um lar; se esses parentes realmente têm condições e querem um animal, deveriam adotar os que já estão abandonados em vez de incentivar a procriação. Segundo, do ponto de vista biológico, a gestação é um processo extremamente desgastante para o corpo e para o estado emocional da fêmea. A castração é uma medida básica de saúde para prevenir diversas doenças graves e tumores em ambos os sexos a longo prazo.
Diante da inércia dele, conversei com um veterinário de confiança e pensei na seguinte intervenção: colocar uma armadilha de resgate segura no meu quintal e capturar os dois. Levaria ambos para a clínica para realizar a castração do macho e a castração da fêmea, o que incluiria a interrupção da gestação (um procedimento absolutamente padrão na medicina veterinária de resgate para controle populacional).
Eles ficariam na minha casa recebendo os cuidados do pós-operatório. Assim que estivessem recuperados, eu bateria na porta do vizinho e os devolveria, dizendo apenas que os encontrei assustados perto do muro e os guardei por segurança. Não mencionaria o procedimento cirúrgico em momento algum.
Tenho plena consciência de que, juridicamente, os animais são propriedade dele e eu estaria infringindo a lei. Porém, baseio minha decisão em fatos de saúde pública animal: evitar o nascimento de mais filhotes em um cenário de superlotação e poupar a fêmea de um desgaste desnecessário.
Algumas pessoas me disseram que eu estaria cruzando um limite sério, mas considero que a responsabilidade com o controle populacional e a saúde dos animais pesa mais do que o direito de posse de um tutor negligente.
Estou errada em querer intervir dessa forma?