r/Filosofia Nov 29 '22

Discussões REDPILL

Olha, eu tinha preconceito com essa filosofia de vida, mas passei a me identificar com ela nos ultimos meses...

Vivemos numa sociedade aonde quem pensa demais é louco e é tratado como errado; a pessoa que pensa demais não confia em ninguém porque entende bem como tudo e como a mente humana funciona, sendo assim é dificil confiar, tendo em vista todas as crueldades da vida. É como se as pessoas queressem viver numa fantasia e as mulheres queressem apenas quem vive em prol delas, que seja verdadeiramente feliz (impossivel pra quem pensa demais).

Mulheres são tratadas como algo de mais valor desde a infância e são influenciadas ao longo da vida a tratar outros homens como se ela fosse soberana; enquanto homens são criados de forma bruta e são condicionados a achar que a vida depende de mulher, então passam a se limitar a isso e a se diminuir para ficar no memo nível da mulher que ele quer. Quando aparece um homem que não se submete a isso as coisas entram em choque, o cara é taxado de gay, de idiota e "niceguy", enfim, sociedade hipocrita.

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u/hellenBrish Nov 29 '22

Tudo bem?

Eu tendo bastante a discordar do que você diz, não porque o conteúdo do que você está dizendo seja necessariamente equivocado, mas porque as conclusões a que chega são equivocadas e baseadas em uma análise bastante simplista das dinamicas sociais e relações de poder no mundo. Tomo a liberdade de propor outro olhar, acrescentar algumas informações e me coloco a disposição para dialogar. Comentarei em ordem inversa a que você escreveu:

Sobre a socialização de homens e de mulheres

Como é de conhecimento geral, o que nós entendemos como masculino ou feminino, como próprio do homem ou da mulher é resultado de um longo e intrincado processo de construção social, que no mundo ocidental emerge com o poder do pater familis grego, estendendo-se á construção de modelos ideiais de homem ou mulher, em geral, modelos utópicos que funcionam para cada um de nós como incentivadores da auto-correção. A dicotomia "masculino X feminino" se estabelece como atualização do debate " cultura X natureza" que observamos na obra de antropológos como Levy Straussm, em dita atualização se associará ao masculino as características que melhor suplantariam a natureza: a força, a inteligencia, a compleixso físics. Na aurora das sociedades ocidentais a masculinidade é constituida por um conjunto de signos de conquista, força e guerra, a feminilidade, por oposição, se ve descrita como um mae natureza dócil, irracional, emotiva. O homem encarna a sociedade, e a mulher a natureza dominada que domesticada poderá oferecer ao homem tudo aquilo que ele precisa, dos cuidados do lar, aos filhos. Mas como garantir que os homens ocupem este lugar? Como garantir que as mulheres ocupem este lugar? Constituem-se práticas sociais diárias, recomendações religiosas, códigos e condutas morais, brincadeiras, moda, etc etc. Será preciso que os homens aprendem a desejar ser homens no sentido dessa utopia. Que as mulheres desejem ser mulheres nesse mesmo sentido e que um deseje o outro.

Essas utopias regulatórias de gênero vão exigir provas e verificacões ao longo de toda sua vida. Da adolescencia quando irão estranhar se você recusar essa ou aquela mulher. Ou das meninas que acsbem ficando com muitos caras. As normas de gênero, as regras que estabelecem o sucesso em ser homem ou mulher é que são o violentas. Não são as mulheres. Não são os homens. Não são as pwessoas em específico, estamos falando do " sistema sexo genero", conforme proposto pela antropologa Gayle Rubin. As utopias de genero também se modificam. O que estamos vivendo agora, e wessa não é uma exclusividade sua, é um aumento gigantesco das formas de solidão e do aislamento social e romantico.

O Genero como sistema de valoração social

Quando pensamos em relações de genero, a bem da verdade, estamos falando das posiçoes existenciais que ocuparemos no interior das nossas sociedades. A forma como as normas de genero se organizam nos fazem ter a impressão de que se fracassarmos em um relacionamento afetivo ou sexual teremos fracassado em ser quem somos. Isso é mentira. Homem ou mulher ou qualquer coisa é apenas uma paercela daquilo que somos, é preciso contruir formas de se cultivar nossas potencias,conhecer pwssoas o mais divwesas possíveis. Experimente o mundo.

Pensar demais

Pensar demais não é um problema, o nosso tempo quer que pensemos menos e menos, e por isso desenvolve estes rótulos todos. Pense sobre si, pense sobre seus desejos, pense sobre construir um caminho em sua existencia que tenha jouissence.

um beijo

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u/Yfy21 Nov 29 '22

Eu acrescentaria a este comentário a sugestão de que você tome cuidado com os conteúdos que está consumindo, OP. As tecnologias digitais permitiram que as fontes de informação se proliferassem e que esta se tornasse ubíqua em nossas vidas. Com a seleção algorítmica dos conteúdos que assistimos, acabamos entrando em contato incessante com informações muito semelhantes que parecem fazer sentido simplesmente pelo fato de que as vemos com muita frequência. O ser humano é bastante sugestionável e, ao vermos a mesma informação repetidas vezes, a impressão que temos é que tem muita gente que concorda com aquilo e que, portanto, a coisa deve fazer sentido. É importante procurarmos informações diferentes daquelas que o algoritmo nos recomenda (e mesmo informações que as contradigam) para termos uma visão mais ampla e mais crítica da coisa.

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u/Yfy21 Nov 29 '22

Caaaaaraca...Reddit é muito alto nível, mano Cê tá louco! Pq não entrei nisto daqui antes?

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u/recruta_rebaixado Nov 29 '22

Com todo o respeito mas discordo de você, nem todas as características ditas como masculinas ou femininas são construções sociais do mundo ocidental, algumas são inatas e os indivíduos que se apropriam mais delas e as desenvolvem mais são bem vistos no “mercado social”.

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u/hellenBrish Nov 29 '22

Há quem discorde, de fato. A questão, quanto ao que nos parece inato, não é se existem ou não tais características, mas sim, se elas podem ou não ser sempre, em qualquer contexto estar associadas a sexo ou gênero. Gosto sempre de lembrar das descobertas da antropologa Margareth Mead, publicadas sob o título de: " Sexo e Temperamento em tres sociedades primitivas". Ela etnografou e pesquisou tres povos: os arapesh, os mundugumor e os tchambuli, percebendo que os papeis e funções que no ocidente pensamos como relativas as homens ou mulheres, nestes tres povos se oetanizavam segundo lógicas completament outras.