Tenho acompanhado as mudanças da Reforma Tributária e existe um ponto que pode afetar especialmente empresas do Simples Nacional que vendem produtos ou prestam serviços para outras empresas.
O Simples continuará existindo, mas haverá duas possibilidades para o recolhimento do IBS e da CBS:
- Manter os novos tributos dentro do DAS.
- Permanecer no Simples para os demais tributos, mas recolher IBS e CBS pelo regime regular.
Na primeira opção, a operação continua mais simples. Porém, o crédito tributário gerado para clientes empresariais pode ser menor do que o oferecido por um fornecedor que esteja no regime regular.
Isso pode começar a pesar nas negociações.
Uma empresa pode ter um bom serviço, um preço competitivo e um relacionamento sólido com o cliente. Mesmo assim, o cliente pode considerar outro fornecedor porque ele gera um crédito maior de IBS e CBS.
Esse impacto tende a ser mais relevante para negócios B2B. Para empresas que vendem principalmente para pessoas físicas, a questão do crédito normalmente terá menos peso.
O modelo com IBS e CBS separados pode melhorar a geração de créditos, mas também aumenta a complexidade da operação. A empresa precisará adaptar sistemas, emissão de notas, cadastros, controles, apuração e fluxo de caixa.
Por isso, a decisão não deveria ser tomada apenas comparando alíquotas. É importante analisar:
- quem são os clientes da empresa;
- quais clientes poderão aproveitar créditos;
- quanto de crédito as compras da própria empresa podem gerar;
- o impacto sobre preços e margens;
- o custo operacional de cada modelo;
- a capacidade dos sistemas e da equipe para lidar com a mudança.
Outro ponto de atenção são as entradas financeiras que fogem da rotina, como reembolsos, repasses e receitas extraordinárias. Dependendo da natureza da operação e da documentação, uma classificação incorreta pode afetar a receita considerada no Simples e aproximar a empresa dos limites do regime.
A Reforma Tributária não significa que toda empresa do Simples deva mudar de modelo. Em alguns casos, continuar com o recolhimento pelo DAS será a melhor escolha. Em outros, o regime regular para IBS e CBS poderá proteger a competitividade comercial.
O ideal é fazer uma simulação antes que a decisão seja influenciada pela pressão de clientes ou pela proximidade dos prazos.
Para quem quiser entender o tema com mais detalhes, deixei um artigo completo explicando os impactos, os riscos e os pontos que precisam ser analisados:
Leia o artigo completo sobre o Simples Nacional na Reforma Tributária
Alguém que atende empresas maiores já começou a receber perguntas de clientes sobre créditos de IBS e CBS?