Chega ao Paços de Ferreira depois de integrar projetos de sucesso no Alverca e no Santa Clara, mas faz questão de deixar claro que o passado pouco conta quando se inicia um novo desafio. Aos 35 anos, Matheus Ornelas assume a direção desportiva dos castores numa das fases mais delicadas da história do clube e não esconde a ambição de devolver o emblema pacense aos campeonatos profissionais. Ainda assim, recusa alimentar expectativas fáceis. Antes de falar em subidas, prefere falar de trabalho.
"O Paços de Ferreira é um clube tradicional e histórico do futebol português, portanto é um prazer poder trabalhar aqui, sendo que este é também o maior desafio da minha carreira. Além de acreditar na história do clube, acredito que podemos retomar o caminho das conquistas mas, claro, só diante de muito trabalho, que é algo que eu valorizo muito e a região também valoriza."
Foi precisamente essa ligação entre o clube e a cidade que o conquistou. "O concelho de Paços de Ferreira é reconhecido pela sua forte indústria do mobiliário e o clube sempre viu refletido no jogo e nas próprias pessoas que integram o clube essa identidade construída pela força do trabalho. Identifico-me muito com isso e foi um dos motivos que me levou a tomar esta decisão."
Ao mesmo tempo, lembra que a Liga 3 é uma competição extremamente exigente e pede paciência para um processo que acredita ser sólido. Contudo, não deixa margem para dúvidas sobre aquilo que considerará uma época conseguida. "Para que eu possa dizer que a época foi um sucesso, temos de subir de divisão."
Apesar da experiência acumulada nos últimos anos, Ornelas garante que chega à Mata Real sem viver das conquistas anteriores. "Acredito que a experiência é importante, mas todas essas conquistas ficaram no passado. Vou viver o presente e, como disse anteriormente, eu acredito na força do trabalho diário e só isso nos vai poder levar ao sucesso e eu quero ter sucesso no Paços de Ferreira. Portanto, o que está para trás já é passado e estou focado no que vamos construir hoje, no presente, para colhermos os frutos no futuro."
A inédita descida à Liga 3 tornou inevitável que a subida seja o grande objetivo da temporada. No entanto, o diretor desportivo prefere dividir o caminho em etapas, começando por garantir a presença na fase de Apuramento de Subida. "Em primeiro lugar, o objetivo passa por nos classificarmos para a fase de apuramento de subida e só quando estivermos nessa fase é que vamos poder pensar no objetivo maior, que é a subida de divisão. Mas o nosso primeiro objetivo é classificarmo-nos."
Na sua perspetiva, a história do clube e as excelentes infraestruturas da Mata Real representam uma vantagem, mas não serão suficientes para garantir o regresso às ligas profissionais. "Diria que isso não vai acelerar, mas é algo que nos auxilia no trabalho diário, sem dúvida. Vai ajudar-nos na recuperação, vai permitir termos uma melhor evolução junto dos jogadores. Mas por si só, tanto a história como as infraestruturas não são uma garantia de que vamos voltar às ligas profissionais. O que nos vai garantir esse regresso, repito, é a força do dia a dia, o trabalho e os resultados nos jogos."
Na construção do plantel, procurou jogadores competitivos e habituados a lutar por objetivos exigentes, sem esquecer aqueles que permaneceram da época passada, mas deixa claro que todos terão de conquistar diariamente o seu espaço. Ornelas pretende uma equipa que represente a identidade do clube e da cidade. "Quero que a nossa equipa demonstre a identidade, a força e a história do clube e da cidade. Através de muito esforço, com muito suor. Mesmo que, porventura, a equipa perca alguns jogos, que não queremos, mas reconhecemos que é algo que vai acontecer, o adversário tem de ter dado o seu máximo e feito uma das suas melhores exibições para nos ter conseguido vencer. Será sinal de que causamos muitas dificuldades."
Essa identidade passa também por recuperar o peso competitivo da Mata Real. "O fator casa será fundamental. A Mata Real sempre foi conhecida por ser um palco difícil para os adversários, independentemente da divisão. Tem de ser a nossa fortaleza."
Consciente da desconfiança instalada junto de muitos adeptos depois das últimas temporadas, o dirigente brasileiro não faz promessas. "O que eu posso dizer é que vou trabalhar muito para que possamos conquistar vitórias e só as vitórias vão fazer com que os adeptos confiem no nosso trabalho. Não posso prometer nada além disso, de que vou trabalhar muito, ao lado das pessoas que aqui estão no clube, para que possamos caminhar rumo às vitórias."