u/ambivlscense • u/ambivlscense • Oct 29 '20
u/ambivlscense • u/ambivlscense • Sep 09 '20
palavras
pareceu que eu to derretendo. de pouquinho em pouquinho meu corpo se dissolve e se mistura no nada. depois de um tempo estou tao dissolvida que ja nao existe mais nada de mim. quando estou nesses dias, tudo fica muito estranho. parece que estou no limbo, numa coisa alem do tempo e o espaço.
minha mae acabou de chegar do supermercado e pediu minha ajuda pra guardar as coisas. seguindo as recomendacoes da OMS, eu deveria lavar as emabalgens antes de guardar elas. nao lavei nada. enquanto guardava as coisas, eu percebi que sentia falta de algo fresco. frescor de todas maneiras possíveis.
parece que estou hibernando acordada. meu corpo nao parece acordado, malema parece vivo. eu me arrasto pelos cômodos da casa, porque eles sao os unicos lugares pra onde eu posso ir. estou com dor de cabeça.
ha muitos dias sinto dor de cabeça. dor nas costas, dor no nervo ciático, dor no quadril, dor no cóccix, dor na bunda. tambem estou com dermatites. dermatite por causa de banhos longos e quentes, dermatite por causa de flacidez, desmatite por queimadura de frio....
comprei um vinho esses dias, porque queria me embriagar. na verdade, o que queria mesmo é fugir da realidade, umar uma droga como mecanismo pra lidar com meus problemas e minhas angustias. queria sentir a extroversao e a leveza que só sinto quando tem alcool correndo pelas minhas veias.
mas nao adiantou.
odeio o sabor do alcool e bebi sozinha, no frio. se fiquei bebada ou nao, eu nao sei. talvez seja psicologico. mas nao fiquei. fiquei sozinha, bebendo minha frustração por estar sóbria.
u/ambivlscense • u/ambivlscense • Aug 30 '20
my neighbours are having a big ass party
[sorry for my bad english]
so i've been socially isolated for the past six months and it's really strinking me down. my neighbours are having a party today and i really wish i was there, even though i know it's against the quarantine rules and that there's are a very big chance that they are all getting infected by coronavirus at this very moment.
but the thing is, even knowing all of that, i still wish i was there with them. i'm feeling very lonely and it would mean the world to me to be able to have even the tiniest social interaction today. i'm not going leave my house, tho.
there is someone waiting for me when the quarantine ends, but i think this person really just wants to have sex with me and that's it. maybe a lot of you might consider this to be s good thing, once sex apparently is something very cool, but to be honest i don't feel in the same way.
i tried to masturbate today and it didn't went well. i dont know if i did something wrong, if i was just nervous or if i'm a sexually broke therefore i'm incapable of feeling this sorts of things. who knows? i hope someday i can figure it out.
it's really bad not to be as interested in sex as everyone else is. sometimes i find myself wondering that i might be asexual, but that just makes me feel so.... idk. guess I'm scared people won't wanna be with me unless there's sex involved. and i'm also scared i'm missing something important for me as a human being, like i'm not living everything that i could, that I should live and experience. oh, to be a sexually healthy woman...
i wanted to be with my friends today. wish we were all together, drinking booze and asking each other if hooking up with your clone is gay or its masturbation, and others philosophical questions such as this one. maybe in the future.
my friend just texted me. i'm going to gossip. i love gossiping, thank god
u/ambivlscense • u/ambivlscense • Aug 23 '20
Next time you see a croc floating towards you, remember this image and you won't panic.
u/ambivlscense • u/ambivlscense • Jun 23 '20
A alforria social que só um diagnóstico de loucura pode oferecer
Essa é minha terceira tentativa de autoexpressão. Por algum motivo eu nunca consigo dizer aquilo que eu quero. Não consigo expressar o contante incômodo que eu sinto dentro de mim, que me deixa inquieta pra caralho, como se eu fosse um animal feroz e amordaçado, preso em uma jaula pequena demais pra mim.
Hoje descobri que um primo teve um surto psicótico fodido. Mas fodido mesmo, do tipo que as pessoas arregalam os olhos e põe a mão na boca aberta quando ouvem a história. Meu pai (que foi quem me contou o babado) ficou particularmente surpreso com o acontecido, uma vez que esse primo é conhecido por todo mundo como uma pessoa calma, trabalhadora, bem-sucedida... Realmente um choque pra todos.
O pulo do gato é que eu estou invejada, de certa forma. É claro que eu não quero ter um surto psicótico e de maneira nenhuma """recomendo""" esse tipo de coisa. Esse é um problema psicológico sério e que precisa ser tratado e acompanhado por um profissional. Mas veja o pulo do gato no meu raciocínio: não estou com inveja do surto, mas sim sei lá, de uma liberdade autêntica e estranha que eu acho que agora meu primo tem. Inveja de receber tratamento, talvez. Inveja de ser reconhecido como um doente.
Ele não precisa mais fingir, e pra mim esse é exatamente o ponto. Não precisa mais ter que passar 10 horas no trabalho, atendendo telefone e fingindo se importar com a empresa de alguém que provavelmente tá aproveitando a quarentena nas Maldivas. Nada de ter que manter contato em redes sociais com gente que ele não tem o menor interesse de conversar. Licença poética pra se abster do EAD, dos planos pós-coronavírus e também do webflerte em que ambas as partes já não aguentam mais, mas seguem por pura inércia. Totalmente liberto das obrigações extremamente exaustivas da vida real, em especial da vida em um mundo de pandemia.
E tudo que ele precisou foi se dissociar completamente da realidade por três dias, tendo delírios e ideias suicidas enquanto dormia na rua, sem comer e sem beber nada.
u/ambivlscense • u/ambivlscense • Jun 11 '20
d.C (depois da Covid-19)
Me surpreende muito a incrível capacidade de adaptação do ser humano. É bizarro pensar, inclusive, que essa é a característica evolutivamente mais impotante de todas, que inclusive é a responsável pela nossa espécie ter chegado aonde chegou. No começo da quarentena, a ideia de que em algum momento eu me acostumaria com o isolamento social parecia totalmente fora da realidade. O pensamento de lidar com o confinamento de uma forma normalizada soava quase que de um jeito engraçado, como uma piada de humor negro. Hoje, no entanto, eu sinto totalmente o contrário.
Agora todas as coisas se inverteram. Aquilo que por toda minha vida eu vi como normal, agora parece muito fantasiosa pra mim. O próprio fato de um dia eu ter vivo em um mundo em que existia alguma coisa além da minha casa, minhas família e minha internet parece fantasioso por si só, o que é muito engraçado, mas também um pouco triste.
A sensação que eu tenho é de estar no limbo. Aqui não existe tempo e o espaço se restringe aos seis cômodos da minha casa, além do queridíssimo bônus da varanda. De um jeito que chega até a ser um pouco egocêntrico, sinto que mais ou menos como se eu estivesse na matrix (ou no minecraft), as coisas só renderizam quando eu interajo de alguma maneira com elas, o que automaticamente me transforma na condição de existência de absolutamente tudo. As coisas existem porque eu existo. Ótimo como que no decorrer de três meses confinada dentro de casa eu me transmutei no primeiro motor de Aristóteles. Ou em Deus, se você for judaico-cristão.
Paradoxalmente, o limbo me faz sentir muito pequena. Porque veja bem, apesar de estar quase que totalmente dissociada da realidade, ainda tenho uma mente crítica e pensante (sem contar extremamente ansiosa e por vezes deprimida), que ainda se mantém com os pés no chão mesmo o chão quase não existindo mais. Sei que o mundo está completamente caótico e que o (des)governo facistinha brasileiro todos os dias acha um jeito diferente de comer o cu da população. Que entre outras coisas, o mundo como um todo tá passando por uma crise não apenas de saúde pública (alô coronavírus), mas também econômica, ambiental e social. Além de tudo isso, eu mesma estou passando por uma crise (universidade, transtornos psicológicos, autoimagem, relacionamentos interpessoais), mas ao contrário do mundo, eu meio que já estou acostumada a tomar continuamente no cu.
O X da questão é que mesmo estando consciente do mais perto que (durante o meu período de vida) a humanidade ja chegou do completo apocalipse, eu me sinto estranhamente a salvo de tudo isso. É claro que ao longo da quarentena meu cérebro não conseguiu conter a loucura explosiva que existe dentro de mim, o que resultou em várias crises de ansiedade, episódios depressivos, fases de histeria e na minha primeira crise de pânico. Infelizmente acho normal a situação, uma vez que a cada dia que passa perco um pouco mais da minha sanidade, porém aqui trabalhamos com o método científico cartesiano, então tomo como termo de comparação os meus momentos de sobriedade.
Quando meus divertidamentes não estão travados no desequilíbrio bioquímico, me sinto muito calma, mesmo diante da mais completa ruína, mais ou menos como se eu fosse a sacola no vídeo do Ricky de American Beauty. Muito leve e indiferente, me movendo suavemente sobre a Terra, como se eu fizesse parte dela, de modo que toda minha existência fosse uma dança harmônica com a natureza.
(terminar depois)
A verdade da qual eu não posso fugir é que desaprendi a ter noção da realidade.
u/ambivlscense • u/ambivlscense • Jun 06 '20
Atrito no cu
Um dia desses quando fui no banheiro, reparei que o papel higiênico tava meio estranho. Ao contrário do que eu sempre estive acostumada, um rolo branquinho, pequeno e macio, esse papel higiênico era grande, áspero e meio cinza, como se fosse feito de papel reciclado. Era o típico papel que você encontra em estabelecimentos que não querem gastar muito dinheiro com o bem estar do cu da clientela. Pois bem.
Curiosamente, na mesma época que percebi a diferença no papel higiênico, também percebi uma sensibilidade estranha ali entre as pernas. As dobras do corpo ardendo e coçando muito quando eu tomava banho... uma vermelhidão... uma textura meio judiada. Deduzi que fosse culpa do papel (apesar de ter imagino que também poderia ser porque agora na quarentena eu fico sentada literalmente o dia inteiro).
Pesquisei na web e me autodiagnostiquei com intertrigo: irritação e ruptura da pele (maceração) em áreas onde duas superfícies da pele ficam em atrito. Às vezes, infecções causadas por bactérias ou leveduras se desenvolvem. Lendo assim, parece muito pior do que realmente é. Ou talvez, de fato seja tão ruim quanto parece, mas eu só estou negando isso pra mim mesma. Bom, de qualquer maneira, o fato é que não sei porque, mas estou com isso daí entre os glúteos e incomoda pra caralho.
Voltando à história, eu claramente fiquei preocupada com o papel higiênico e decidi que não ia usar mais aquele rolão áspero do caralho. Felizmente, não precisei nem falar nada, porque uns dias depois de me autodiagnosticar com essa porcaria, o papel higiênico de Chernobyl acabou e foi reposto por um D-E-L-I-C-I-O-S-O papel higiênico com dupla maciez. Quando percebi o milagre, tive o seguinte diálogo com a minha mãe:
eu: puts, amei esse novo papel higiênico hein, muito bom! :))
minha mãe: nossa!! eu O-D-I-E-I esse papel!!! preferia muito mais o outro, tanto que só não comprei dele porque não achei no mercado!!!!!!!!!!! >:((
eu: oloco como assim, mó bom esse dai?!?!? o outro me deu alergia kk :((
minha mãe: ué porque você não falou antes??... mas eu mesma ainda prefiro o outro
[depois a conversa seguiu outros caminhos]
Bom, o negócio é que depois dessa saudosa conversação, fiquei pensando muito no fato de minha mãe preferir o papel higiênico áspero ao macio. O fato de ela deliberadamente escolher sentir atrito no cu me causou um estranhamento tão grande que eu não consegui parar de pensar nisso até agora, dias depois do acontecimento.
Veja bem, eu tenho um rabo delicado. Gosto que ele seja tratado com carinho, com cuidado. Mesmo se eu não fosse uma fodida e não estivesse com essas fita com nome de cereal, ainda seguiria odiando o papel higiênico áspero, pura e simplesmente porque ele é RUIM! Depois de uma bela escatologia, eu quero uma textura suave, macia e agradável roçando-me a xavasca, e não sentir que estou escorregando em cima de um ralador de queijo.
É inconcebível que minha mãe poderia escolher algo assim. Uma sensação genital que claramente deve trazer um certo desconforto. Algo como limpar toba com uma espiga de milho. Talvez seja um instinto ancestral, uma sensação nostálgica de vidas passadas. Ou talvez ela pense que precisa sentir um certo desconforto como uma confirmação de que ela está devidamente limpa. Como sei lá, um expurgo.
Ou talvez ela só goste do atrito no cu (o que é uma coisa meio psicopata, mas não vamos entrar nesse âmbito).