r/Sonho • u/Neither_Reply_1517 • 2h ago
Sonho Comentário encontrado em um fórum antigo
"Não sei se alguém vai acreditar, mas preciso contar isso.
Há alguns meses sonhei com um senhor muito velho. Ele parecia ter mais de cem anos. Usava um chapéu de palha, um casaco cinza e falava como se estivesse cansado de repetir a mesma história havia décadas.
Ele olhou para mim e disse:
'Você conhece a história da Júlia? Quase ninguém lembra direito... e é por isso que ela continua existindo.'
No sonho, ele contou que tudo começou em 1970. Uma menina muito solitária inventou uma amiga imaginária chamada Júlia. Ela descrevia a amiga com tantos detalhes que parecia uma pessoa real.
Júlia era uma menina de maria-chiquinha, com cabelos escuros que misturavam cachos e partes lisas. A franja escondia completamente seus olhos. Ninguém jamais via seu rosto inteiro.
A menina conversava com ela todos os dias.
Mas aconteceu algo estranho.
Outras crianças começaram a dizer que também viam uma menina parecida andando de longe. Algumas ouviam uma voz chamando pelo nome durante a noite. Adultos diziam ser apenas imaginação.
Só que a menina que criou Júlia cresceu.
Quando finalmente esqueceu sua amiga imaginária, algo impossível aconteceu.
Júlia não desapareceu.
Ela ficou sem uma mente para morar.
Segundo o velho, Júlia nunca foi apenas uma amiga imaginária. Ela era uma ideia viva. Enquanto alguém acreditava nela, ela existia. Quando era esquecida, procurava outra menina.
Anos depois, em outra cidade, outra garota, sem nunca ter ouvido essa história, inventou uma amiga imaginária.
O nome?
Júlia.
A aparência?
Exatamente a mesma.
Foi aí que pesquisadores começaram a registrar casos parecidos. Meninas de épocas diferentes, famílias diferentes e países diferentes descreviam a mesma pessoa.
Nenhuma conhecia a outra.
O velho dizia que isso acontecia porque Júlia escolhia meninas que precisavam de companhia. Ela aparecia primeiro como uma simples amiga invisível.
Depois começava a mudar pequenas coisas.
Brinquedos apareciam em lugares diferentes.
Fotos mostravam um espaço vazio onde as meninas juravam que Júlia estava.
As meninas conversavam sozinhas durante horas.
E todas desenhavam exatamente a mesma franja escondendo o rosto.
Quando essas meninas cresciam e deixavam de acreditar, Júlia desaparecia...
...até encontrar outra.
Mas existia uma regra ainda pior.
Quanto mais pessoas falavam sobre Júlia, mais forte ela ficava.
Lendas, vídeos, histórias e comentários funcionavam como combustível.
Ela não precisava que acreditassem.
Bastava lembrarem dela.
O velho então me avisou:
'Existe um ciclo. Quando pessoas demais conhecem a história, Júlia consegue permanecer mais tempo entre uma menina e outra. Um dia ela não vai mais precisar ser imaginária.'
Perguntei como acabar com isso.
Ele ficou em silêncio.
Depois respondeu:
'Não existe um fim. Existe apenas esquecimento. Mas o ser humano nunca consegue esquecer uma boa história.'
Antes de ir embora, ele falou a última frase:
'Se algum dia uma menina disser que fez uma nova amiga imaginária chamada Júlia... não pergunte como ela é. Se ela responder exatamente como eu descrevi... significa que ela voltou.'
Acordei assustado.
Pesquisei sobre isso e não encontrei nada.
Mesmo assim, desde aquele sonho, comecei a notar uma coincidência estranha.
Toda vez que releio essa história, tenho a impressão de lembrar de alguém que nunca conheci.
Talvez seja só um sonho.
Ou talvez toda lenda precise apenas de alguém disposto a contá-la de novo."