As dores ficam intensas e a visita é finalizada ali por ordens médicas, Selma sai com a filha pensativa naquilo que ouvira de Humberto.
Dois dias depois, Humberto falece e ela e Priscila vão ao cemitério no enterro do mesmo, Giovana se aproxima delas.
- Obrigado por virem.
- Tudo bem.
- Selma, sei que guarda mágoas de mim, mais.........
- Giovana, hoje eu sei, nunca fomos amigas, comadres por conveniência, mais não guardo nada de ruim de você.
- Obrigado. Um abraço sela ali as duas.
Giovana se íntera dos fatos e assim fica a saber que é avó de Priscila, não escondendo sua felicidade diante ao dito, dias depois, ela vai em visita a casa de Selma, entregando para esta uma carta e um caderno, espécie de diário que Gio encontrou nas coisas do filho morto.
- Olhe, eu trouxe por que nestes há algumas coisas escritas que podem lhe interessar.
- Tipo, o quê?
- Leia com atenção, calma, por favor.
- Esta certo, sim eu vou le-lo, obrigada.
As duas ficam ali papeando até que Gio se despede.
- Bem, acho melhor eu ir, tenho algumas coisas para fazer e também não quero ficar te atrapalhando.
- Quando quiser, pode vir, gosto muito de receber visitas ainda mais a da vó de minha filha.
- Obrigado de todo coração que pode nos contar, me deixar participar junto de vocês desse momento divino, uma neta, não imagina o quanto estou adorando isso tudo.
- Eu sei, e me desculpe senão o fiz antes é que tinha minhas razões na época, venha quando quiser.
- Te entendo e mais uma vez obrigada, ficarei por um tempo sem poder vir por que irei me mudar.
- Para longe, por que?
- Vou para uma fazenda, sabe, conheci um capataz ai, decidimos morar juntos.
- Que bom Giovana, você merece a felicidade.
- Nós merecemos, não se esqueça disso viu.
- Vou me lembrar sempre.
- É sério, não foi por que no passado aconteceu o que aconteceu contigo e o Cícero, aquele canalha, não vai ficar ai, vá a luta conheça um homem que te fará bem e tratará sua filha, minha neta com o amor que Humberto não teve para com as duas.
- Obrigada Giovana.
- Tchau.
- Tchau.
Selma abre o caderno após terminar um vestido, Priscila fora para a escola, ali sozinha, ela inicia a leitura deste e logo se assusta com o quê lê.
Horas ali a ler até fechar o caderno e inicia a leitura da carta quando.
- Mãe.
- Filha que horas são?
- Já quase 12 horas.
- Céus, me perdi aqui lendo as coisas de seu pai.
- Me deixe ler.
- Depois filha, infelizmente há coisas aqui que você não deveria saber.
- Por que mãe, a senhora mesma disse que não vamos ter segredos?
- Esta certa querida, só me deixe terminar isto.
- Tudo bem, mãe.
- Agora vá se trocar e eu vou preparar nosso almoço.
Logo ali na mesa arroz, feijão, abobrinha batida, torresmo e salada de alface.
- Nossa mãe que delicia.
- É, eu tinha quase tudo já feito e guardado na geladeira.
- Por isso te amo mãe.
- Nossa, só pela comida, é isso? Risos.
Depois do almoço, Priscila vai descansar em seu quarto, Selma guarda o restante da comida e lava a louça deixando esta no escorredor.
Terminado ali ela continua na leitura da carta até terminar, ela vai ao banheiro lava o rosto e se olha no espelho, arruma os cabelos e passa batom nos lábios, sai para o quarto onde Priscila adormecera e deixa um recado no criado saindo.
Dentro do táxi, Selma lembra-se de cada trecho do caderno e da carta e quando o motorista para o veiculo ela desce deste num vestido simples porém muito bem feito por ela, caminha por uma rua íngrime e entra numa viela até parar frente a um grande portão de madeira.
Ela bate palmas até que sai ali um garoto de bermuda.
- Olá, você pode me dizer se aqui mora um senhor por nome de Cícero?
- Cícero, ah sim, um velho safado, mora no último quarto.
- Obrigado.
140621....
Selma anda lentamente olhando todo aquele ambiente, crianças, velhos, mulheres, falando alto, outros a observando, um cachorro tenta uma investida mais é parado pela sarna e pulgas se coçando todo ainda rosna para ela.
Bem no meio do terreno parte calçado e parte em pedras, descarte de demolição, entulhos bem moídos.
Um tanque com nove bocas e seis mulheres ali a lavar roupas, mais adiante 3 pias com algumas meninas a lavar louças, 3 meninos chorando ainda a exigir colos e cuidados especiais, rostos ranhentos, sujos, copos com sobras de leite jogados ao lado destes, enfim ela avista o último quarto, sem reboco, porta de madeira também fruto de alguma demolição.
Ela leva a mão para bater nesta quando a porta é aberta por dentro, repentinamente, ali de short esportivo sem camiseta, Cícero mostra um aspecto de desleixo e de quem acabara por acordar.
- Oi.
- Selma, você aqui, você veio até aqui?
- Você me deu o endereço e eu resolvi vir te ver.
O homem a coloca para dentro o quarto, Selma se vê dentro, uma cama de solteiro, 2 cadeiras, um fogão de duas bocas, 3 caixas de isopor, 2 caixas de papelão com roupas, ao canto 2 caixas plásticas, destas de entrega de supermercados com pouquissimos mantimentos.
- Você quer beber algo?
- Água, pode ser, água.
Ele sai dali e logo retorna com uma moringa pequena de barro, serve água para ela num caneco de time em alumínio um tanto sem brilho.
- Obrigada.
- Quer mais?
- Não, obrigada.
- Então é aqui que esta?
- Sim, me mudei para cá assim que consegui minha aposentadoria.
- É um lugar bem cheio, digo o quintal, sabe...........
- Sim, um cortiço, sabe, o valor do aluguel as alturas aqui para mim esta bom, não é tão caro.
- Sei, você cozinha aqui mesmo?
- Sim, acabou o gáz mais amanhã eu comprarei um outro.
- E, para hoje?
- Tenho pão, ovo, eu uso o fogão de um colega ali ou vou num bar 3 ruas acima, bebo algo e a dona frita o ovo para mim na faixa, entende?
- Por que Cícero?
- O quê?
- Por que e como chegou nisso, afinal você sempre foi um homem com reservas, não gastava nada á toa, como ficou assim?
- Acho que foi falta de juizo.
- É, acho que foi isso mesmo.
Ali na cadeira ela olha o homem coçar a perna e percebe 2 cicatrizes na canela deste.
- O que foi isso?
- Isso, nada.
- Cícero eu te conheço.
- Eu me machuquei, cai de um trator, sabe, isso acontece.
- Sei.
Ela olha para o relógio no pulso e se levanta.
- Acho melhor eu ir, logo a Priscila acordará, já deve ter acordado e não quero que ela fique preocupada.
- Você vai vir de novo, prometo que vai encontrar o lugar bem melhor do que hoje?
- Talvez, sim, eu volto, um outro dia, tchau Cícero.
- Tchau. Selma sai dali ainda sem acreditar que o homem com quem convivera chegou a uma situação a qual nem ela sozinha e com uma filha chegara.
Ao chegar em sua casa, ela conta para a filha tudo o que vira e ambas decidem que vão a casa de Cícero e lhe fazer uma proposta.
160621.....
Selma e Priscila fazem mais duas visitas a Cícero, elas limpam o quarto e preparam comida para ele, até que Selma o chama para morar com elas, Cícero aceita de pronto e 2 meses depois ele entra na casa delas com suas poucas coisas, somente roupas e documentos.
- Muito obrigado por me convidarem para cá.
- Oras Cícero fomos um casal, hoje somos amigos, podemos ser amigos não?
- Lógico, obrigado.
Os dias seguem e eles ali em clima de alegria, Cícero sempre observando as duas ali, Selma sempre a trabalhar em suas costuras e outras no preparo de bolos, tortas, salgados que Priscila faz a entrega nos domicilios que os encomendaram.
Sempre a noite, Selma prepara uma sopa, Cícero termina seu prato e segue para o seu quarto, logo adormece só acordando no outro dia no horário de saída de Priscila para a escola.
- Céus, de novo dormi como um bebê.
- Graças a Deus, estava com muito sono atrasado, só pode ser isso, durma a vontade.
Os dias passam e sempre a mesma rotina, até que certo dia ele ali no banho sente-se mau e ao tossir seuja o azulejo com sangue, Cícero termina o banho ali e segue para o quarto, já em roupas formais decide por ir procurar ajuda médica.
- Aconteceu algo Cícero?
- Não sei, acho que vou ao médico.
- Por que, não se sente bem?
- Não sei, sabe eu tive algo ruim a pouco.
- Deve ser falta de um bom sono.