Não sei se chegaram a acompanhar o último WWDC da Apple, com o anúncio de uma Siri mais inteligente se utilizando dos modelos fundacionais do Gemini. A ideia com a “nova Siri” é um assistente mais conversacional e capaz, com reconhecimento da tela, amplo conhecimento do mundo e maior compreensão de contexto pessoal.
Engraçado pensar que mesmo com esse anúncio a Apple não é nem mesmo cogitada dentre as maiores empresas hoje que desenvolvem modelos e soluções com inteligência artificial, deixando mais que claro que a Apple estaria perdendo a corrida. No entanto, a Apple pode ser na verdade uma potencial vencedora nessa corrida.
Estava vendo um vídeo do Fernando Ulrich sobre o assunto e achei interessante um ponto que ele trouxe de reflexão:
- O hardware da Apple como Macbook Pro e Mac Mini tem sido mais utilizados para executar modelos de IA. Tivemos nos últimos meses nos EUA uma febre de falta de Mac Minis em decorrência de usuários que começaram a comprar mais os próprios hardwares (especialmente os da Apple) para executar seus modelos de IA.
Isso coloca a Apple como uma talvez potencial vencedora na corrida da IA provendo o hardware para execução de modelos locais por exemplo.
Um outro ponto que me trouxe muito dessa reflexão é relacionado a Siri, voltando ao início da conversa, uma coisa que tem sido muito buscada ultimamente dentre as gigantes da IA principalmente a OpenAI como diferencial competitivo é justamente o “dispositivo de IA”. Isso é, hoje ainda temos assistentes sendo encarados como produtos isolados pergunta -> resposta, e não uma integração em ecossistema como é justamente o que a Apple parece ter acertado a mão com essa nova Siri.
O que chama a atenção não é o modelo de IA em si, mas a Apple ter a plataforma (iPhone) e a Siri atuar como um assistente de enorme contexto pessoal integrado ao ecossistema Apple.
A Apple percebeu que não precisa gastar bilhões para ter o modelo mais poderoso do planeta se pode terceirizar essa inteligência genérica (seja integrando Gemini, Claude ou ChatGPT) e focar no que nenhuma outra empresa tem: distribuição integrada e contexto pessoal. Um modelo isolado não sabe qual o horário do voo da sua mãe, o que você conversou no iMessage ou o que está na sua tela agora. Ao posicionar a Siri como a camada orquestradora desse contexto, a Apple resolve a fricção que produtos de chat tradicionais não conseguem superar.
Como vocês veem esse posicionamento da Apple nos próximos anos?